A GRANDE ILUSÃO (1937)

A GRANDE ILUSÃO (1937)

(La Grande Illusion)

1937 , 114 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Jean Renoir

    Equipe técnica

    Roteiro: Charles Spaak, Jean Renoir

    Produção: Albert Pinkovitch, Frank Rollmer

    Fotografia: Christian Matras

    Trilha Sonora: Joseph Kosma

    Estúdio: R.A.C. (Réalisation d'art Cinématographique)

    Elenco

    Dita Parlo, Erich Von Stroheim, Jean Gabin, Julien Carette, Marcel Dalio, Pierre Fresnay

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    As primeiras cenas do clássico A Grande Ilusão lembram um episódio do antigo seriado de televisão Guerra, Sombra e Água Fresca: em um campo de concentração, prisioneiros franceses e soldados alemães convivem dentro de um relativo – dentro do possível – clima de cordialidade. Há até espaço para o humor. Num determinado momento, um prisioneiro diz ao outro: “Senhores, que tal se começássemos a falar sério?” A resposta vem rápida: “Claro. Mas não todos ao mesmo tempo”.

    Porém, aos poucos se percebe que o ágil roteiro do francês Jean Renoir e do belga Charles Spaak tem intenções muito mais profundas que simplesmente fazer rir. À medida que se desenvolve, o filme revela que o campo de concentração é uma espécie de metáfora da situação européia da época, em que pessoas de várias classes sociais tentam, de alguma forma, reorganizar suas vidas a partir de uma nova realidade política e econômica.

    Vale uma explicação histórica: o filme é de 1937 e retrata a Primeira Guerra Mundial, ocorrida duas décadas antes. A Europa estava em ebulição com o início da ascensão do nazismo e as novas sociedades estavam se reestruturando após o conflito. Ainda faltava mais de um ano para que a Segunda Guerra estourasse.

    Repare: no filme, as ligações aparentam ser mais próximas entre dois oficiais inimigos oriundos da aristocracia do que entre os soldados de um mesmo exército. Ao passo que o capitão Boëldieu (Pierre Fresnay) e seu colega alemão Rauffenstein (Erich von Stroheim) evocam o fim da aristocracia e das honras de guerra. Representando as classes menos abastadas, que se viram como podem, dois prisioneiros franceses desertam e conseguem chegar à Suíça graças à ajuda de uma camponesa que se enamora de um deles. Por mais romântica que possa parecer a idéia, é inegável que, novamente, o amor serve com redenção. Enquanto isso, os poderosos se unem novamente.

    Não por acaso, A Grande Ilusão é considerado um grande clássico do cinema, tendo colecionado prêmios importantes como Melhor Filme Estrangeiro de 1938 tanto pela National Board of Review dos Estados Unidos, como pela New York Film Critics Circle.
    O diretor Jean Renoir – filho do famoso pintor francês – recebeu por este filme o prêmio de melhor contribuição artística no Festival de Veneza e ainda foi indicado ao prêmio de melhor direção no mesmo evento. O máximo da ironia é que, naquela épica, o troféu dado aos diretores no Festival de Veneza se chamava “Taça Mussolini”...

    22 de agosto de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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