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A GRANDE MURALHA

(The Great Wall, 2016)

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22/02/2017 11h48
por Daniel Reininger

Visualmente inspirado, A Grande Muralha é aquele tipo de filme ruim que você gosta sem explicação lógica e não conta para ninguém. É total guilty pleasure, cheio de problemas do começo ao fim, mas que não incomoda o suficiente pra irritar, enquanto alguns momentos são realmente divertidos, apesar de esperarmos mais da união de Matt Damon, um dos atores mais queridos de Hollywood, e Zhang Yimou (Herói) , um dos maiores diretores do oriente.

A trama é simplória: a Grande Muralha foi construída não só para manter as tribos do norte longe da capital chinesa, mas também para proteger o mundo de lagartos alienígenas que decidem sair para fazer um lanchinho a cada 60 anos. A premissa fantasiosa ganha vida com belo visual do exército humano e do curioso design das criaturas antagonistas.

O lado positivo basicamente acaba aí. Apesar das lutas serem boas, o belo exército não cansa de fazer presepadas imperdoáveis e a forma como um viajante ocidental (Damon) é aceito rapidamente e se torna um herói, mesmo nunca tendo ouvido falar das criaturas, é difícil de engolir. Aliás, o fato de atores ocidentais estarem no filme já é um problema em si, afinal, é totalmente desnecessário e serve apenas como caça-níquel no acordo comercial entre China e Hollywood.

Por sinal, Matt Damon não parece se esforçar na atuação e sua tentativa de sotaque (provavelmente escocês) é péssima. O mesmo vale para Willem Dafoe, ambos cientes do caça-níquel que estrelam. Justiça seja feita, a subtrama de Dafoe, que acaba se tornando um personagem chato cujo único propósito é justificar porque alguns chineses entendem inglês, é totalmente dispensável e aí é culpa do fraco roteiro.

Tian Jing e Pedro Pascal tentam dar alguma credibilidade ao filme pelo menos. Enquanto Pascal é engraçado e comprometido em fazer seu personagem funcionar, Tian é boa no papel de comandante, porém sua relação com William (personagem de Damon) é desnecessária e sem muito sentido e ela é mais interessante liderando tropas ou na linha de frente.

A única razão para ver a Grande Muralha é testemunhar a capacidade de Yimou dirigir cenas de batalha. O primeiro combate entre as forças humanas e alienígenas é intenso e lembra muito o confronto de Helm's Deep em O Senhor Dos Anéis: As Duas Torres, mas com a beleza característica do diretor. As armaduras são simplesmente incríveis a ponto de eu querer as action figures do filme para minha coleção (pois é).

Pena que a ótima sequência inicial de batalha acaba ofuscada por clichês, roteiro ridículo, desenvolvimento nulo de personagens e clímax nonsense. Para piorar, o CGI vacila em vários momentos, especialmente perto do final. A resolução da guerra é tão simplória que beira o ridículo ao não usar elementos que poderiam ser mais interessantes, como a relação das criaturas com imãs, questões que não são exploradas como deveriam.

Não, A Grande Muralha não é um bom filme, mas também não é terrível como parece, só não é um épico digno de seu diretor e seu astro principal. Vale o ingresso no cinema? Essa é uma pergunta complicada, mas certamente é uma boa pedida para quem está a fim de desligar o cérebro por 103 minutos e viajar em algumas belas cenas de batalha.

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Daniel Reininger

Editor-Chefe

Fã de cultura pop, gamer e crítico de cinema, é o Editor-Chefe do Cineclick.

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