Pôster de A Grande Noite

A GRANDE NOITE

(Le Grand Soir)

2012 , 92 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 24/01/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Benoît Delépine, Gustave de Kervern

    Equipe técnica

    Produção: Benoît Delépine, Gustave de Kervern, Jean-Pierre Guérin

    Estúdio: arte France Cinéma, Belgacom, Beta Productions, Canal+, Centre National de la Cinématographie (CNC), Ciné+, Cofinova 8, Département de la Charente-Maritime, GMT Productions, La Banque Postale Images 5, La Compagnie Cinématographique Européenne, Le Tax Shelter du Gouvernement Fédéral de Belgique, No Money Productions, Panache Productions, Région Aquitaine, Région Poitou-Charentes, WDR / Arte

    Distribuidora: Imovision

  • Crítica

    19/01/2014 15h14

    "É culpa da crise". Essa frase deve ter sido repetida à exaustão nos últimos anos para dispensar funcionários pela Europa. O filme francês A Grande Noite conseguiu traduzir de forma leve e crítica o sentimento de desesperança que tomou conta do continente. Há uma graça sombria na decadência revelada pelos diretores Gustave de Kervern e Benoît Delépine (Mamute). Entretanto, o humor não funciona plenamente o tempo todo. Aqui, o preço do absurdo é cair no ridículo.

    Assistir a esse filme com seriedade não é uma boa opção. O melhor é observá-lo pela mesma perspectiva do mercado financeiro, o próprio non-sense sistematizado. Esse traço se mostra logo no início, quando os  irmãos Benoît (Benoît Poelvoorde) e Jean-Pierre (Albert Dupontel) falam incessantemente com o pai. Ou melhor, fazem monólogos simultâneos durantes cinco minutos sem ganharem nenhuma atenção dele, numa quebra da realidade.

    Junto à esposa punk, o senhor Bonzini mantém uma batataria levemente afastada do fluxo da capital. O estilo da matriarca influenciou o filho mais novo, conhecido como Not, cuja vida consiste em vagar com o cachorro pra cima e pra baixo, vivendo com o necessário e arrumando trocados para comer e beber.

    Jean-Pierre, por outro lado, empregado numa loja de colchões, é favorável às regras e normas, recrimina a postura outro. Mas, ao perder o emprego por não atingir a meta de vendas, muda de lado: quando o jogo está a seu favor, defende as regras; quando começa a perder, subverte-as. Nessa transição percebe-se o quão frágil é a postura do personagem interpretado pelo ótimo Albert Dupontel. Seria essa crise apenas financeira?

    Juntos, os dois irmãos tentam encontrar formas de questionar o sistema. A "grande noite" diz respeito justamente a uma dessas tentativas, quando tentam reunir pessoas dentro da Leroy Merlin e protestar a partir de um dos ícones capitalistas da França colocados em xeque.

    Não há fotografia ou enquadramentos incríveis, o foco permanece nas pequenas situações e nos personagens fora do comum. Os coadjuvantes dessa trama são um tanto peculiares e interessantes, a começar pelos pais dos irmãos, aparentemente relapsos. A esposa de Jean-Pierre também se encaixa nesse perfil.

    O desapego da realidade para criticá-la mostra-se mais real do que o retrato fiel depositado em alguns filmes. Uma cena marcante acontece quando os dois avistam um homem tentando se suicidar e param para pedir gasolina. O retrato de uma crise social vai se formando por meio desses momentos.

    A melhor cena deste longa se dá quando os dois irmãos caminham sem rumo pelo interior da França. O mais velho diz que a liberdade é um caminho reto e deixa de desviar dos obstáculos. Ou seja, adentra casas, passa por cima de cadeiras, encontra os estranhos donos cujos lares destruíram rios. Afinal, quem colocou tantos obstáculos para alguém ser livre?

    Talvez o longa soe pretensioso; às vezes, seu humor francês cai no ridículo e a repetição do tom de absurdo cansa um pouco. De qualquer forma, A Grande Noite faz um retrato bem-humorado e crítico de uma crise que está apenas no começo.

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