A HORA MAIS ESCURA

A HORA MAIS ESCURA

(Zero Dark Thirty)

2012 , 157 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 15/02/2013

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Kathryn Bigelow

    Equipe técnica

    Roteiro: Mark Boal

    Produção: Kathryn Bigelow, Mark Boal, Megan Ellison

    Fotografia: Greig Fraser

    Estúdio: Annapurna Pictures

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Akin Gazi, Alex Corbet Burcher, Alexander Karim, Ben Lambert, Callan Mulvey, Chris Pratt, Christian Contreras, Daniel Lapaine, David Menkin, Derek Siow, Édgar Ramírez, Fares Fares, Frank Grillo, Fredric Lehne, Greg Bennett, Harold Perrineau, Henry Garrett, Jason Clarke, Jeff Mash, Jennifer Ehle, Jeremy Strong, Jessica Chastain, Jessica Collins, Jo Hart, Joel Edgerton, John Schwab, Josh Kelly, Julian Lewis Jones, Kyle Chandler, Lee Asquith-Coe, Mark Duplass, Mark Strong, Martin Delaney, Mike Colter, Nash Edgerton, Nathan Nolan, Nick Donald, Parker Sawyers, Phil Somerville, Ricky Sekhon, Scott Adkins, Sean Mahon, Shabana Azmi, Stephen Dillane, Taylor Kinney, Wahab Sheikh, Yoav Levi

  • Crítica

    10/02/2013 20h51

    Filme de ficção, mas com alma de documentário. A Hora Mais Escura esquadrinha com riqueza de detalhes e tom realístico a caçada de uma década ao homem mais procurado do mundo: Osama Bin Laden, mentor do maior atentado terrorista da história, responsável pela morte de mais de 3 mil pessoas nos Estados Unidos.

    Detalhista, o longa de Kathryn Bigelow, vencedora do Oscar em 2011 por Guerra ao Terror, revela detalhes de toda a operação – repleta de tropeços - da inteligência norte-americana para chegar ao líder da Al-Qaida. Mesmo com todos os esforços humanos e econômicos demandados, quando os militares americanos invadiram e mansão no Paquistão e eliminaram o terrorista, a CIA considerava apenas em 60% as chances dele estar na casa. Um tiro no escuro que deu certo.

    A Hora Mais Escura é para o espectador refletir e decidir. O roteiro Mark Boal revela o funcionamento da CIA real – bem distante dessa que vemos nos filmes de ação. Objetivo como uma matéria jornalística, aqui qualquer possível reação emocional aos fatos apresentados não são norteadas pela direção ou pelo roteiro. Opiniões sobre os acontecimentos e métodos utilizados no processo estão totalmente na mão do público.

    Começa-se poucos anos depois do atentado. Agentes da CIA torturam prisioneiros submetendo-os a simulações de afogamento. Em nenhum momento condena-se ou defende-se tais procedimentos, deixando ao espectador a reflexão sobre a velha questão: os fins justificariam os meios? Submeter um ser humano à atrocidade da mortificação física e psicológica da tortura seria legítimo se o objetivo fosse capturar o mais perigoso terrorista do mundo e evitar mais mortes no futuro? A resposta é sua, só sua.

    A Hora Mais Escura
    não contesta fatos ou os endossa, apenas os apresenta: as informações obtidas sob tortura foram importantes para reunir pistas que levaram a Bin Laden, mas não determinantes. Longe disso. Os atos desumanos da CIA foram proibidos por Barack Obama em 2009 e a agência teve de se virar com a boa e velha investigação. A soma das técnicas de trabalho resultou na morte de Bin Laden. O fato, no entanto, é que os americanos chegariam lá sem ter torturado ninguém. Essa percepção incômoda levamos conosco ao longo do filme.

    Bigelow não julga quaisquer dos personagens, mais deixa espaço suficiente para que façamos nossa própria arbitragem diante dos muitos dilemas éticos que apresenta. Por outro lado, não deixa que esqueçamos o horror perpetrado pela Al-Qaida. Logo em sua abertura, o filme apresenta ao público o áudio real, sem imagens, de pessoas desesperadas diante da morte iminente nas torres ou nos aviões. Isso não nos deixa esquecer o terror que Bin Laden e seus fanáticos infligiram a estes e ao mundo.

    Apesar da pegada documental, A Hora Mais Escura é uma ficção. Sua protagonista é Maya (Jessica Chastain) , agente que chega a uma prisão secreta da CIA para observar os trabalhos do colega Dan (Jason Clarke). Este interroga um detido relutante. Como se recusa a falar, é torturado. A Maya que assiste ao interrogatório, impávida, mas sensibilizada, vai dando lugar a uma mulher dura e obsessiva, moldada pelas circunstâncias, num trabalho de evolução de personagem elogiável.

    A cada ataque que se seguiu, incluindo os que resultam na morte de seus colegas - e um contra ela mesma -, Maya torna-se mais obcecada e ciente de que é preciso eliminar o câncer de onde tudo isso resulta: Bin Laden. Quando, depois de muito trabalho, descobre o possível paradeiro do terrorista, entre em ação o Time Seis, elite do SEALs, que parte do Afeganistão para invadir a casa onde supostamente estaria o terrorista.

    A sequência cinematográfica da invasão tem quase o tempo real que durou: 49 minutos. Num excelente trabalho de direção, Bigelow mostra como funciona uma operação de alto risco como essa. A elite da inteligência mundial – mesmo aos trancos e barrancos - descobriu o paradeiro do assassino. Outra elite, a da Marinha dos Estados Unidos, eliminou o maior terrorista do mundo com um tiro de fuzil do rosto.

    Na sequência final do filme, a agente Maya abre um saco para cadáveres usado para carregar tantos corpos de americanos, civis e militares, e mira a cara do alvo. Missão cumprida. Era preciso dar cabo de Bin Laden, era preciso dar uma resposta ao mundo. Estes homens e mulheres, responsáveis por fazer o “trabalho sujo”, deram. O mundo respira um pouco mais aliviado depois disso.


Deixe seu comentário
comments powered by Disqus