A HUMANIDADE

A HUMANIDADE

(L'Humanité)

1999 , 148 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Bruno Dumont

    Equipe técnica

    Roteiro: Bruno Dumont

    Produção: Jean Bréhat, Rachid Bouchareb

    Elenco

    Emmanuel Schotté, Ghislain Ghesquière, Ginette Allègre, Philippe Tullier, Séverine Caneele

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Uma pequena cidade no litoral francês, onde quase nada acontece. Uma criança estuprada e assassinada. E um investigador de polícia perturbado. Está armado o cenário para A Humanidade, filme vencedor dos prêmios de melhor ator (Emmanuel Schotté), melhor atriz (Séverine Caneele, empatada com Emilie Dequenne, do filme Rosetta) e Especial do Júri no Festival de Cannes de 1999.

    A história é centralizada na figura de Pharaon, um homem sensível demais para trabalhar na polícia. Ele alimenta um amor platônico pela vizinha, mantém um relacionamento gelado com a mãe, e tenta engolir um trauma envolvendo sua ex-noiva. Falando assim, pode até parecer que A Humanidade é um policial psicológico. Não é. Mantendo a linha de seu trabalho anterior (o super valorizado e insosso A Vida de Jesus), Dumont faz novamente um filme muuuuito leeeeento, com longos planos, reflexivo, e de montagem sonolenta. Um estilo que agrada aos críticos e aos jurados de festivais, mas que espanta o público. E não é para menos. Seria mesmo necessário tomar duas horas e meia da paciência do espectador para uma história tão rala? Seria mesmo necessário esticar tanto as cenas para ressaltar a angústia do personagem? Afinal, de quem deve ser o sofrimento, de Pharaon ou da platéia?
    A antiga explicação estética de que um filme ambientado num lugar onde nada acontece deve ter um ritmo tão lento quanto o seu tema ainda é válida, ou perdeu os sentido desde a época de Werner Herzog?

    Também traz um sabor passadista os pseudo enigmas que o diretor joga aleatoriamente durante a trama: um caminhão em alta velocidade, um avião a jato, cenas de torres de eletricidade... tudo vindo do nada e indo pra lugar algum, como se usava fazer nos chamados "filmes de arte" dos anos 60 ou nos super-8 dos anos 70.

    Este gosto retrô de A Humanidade também não agradou ao mercado internacional. Nos EUA, ele estreou em apenas dois cinemas, e não chegou a faturar 100 mil dólares. Isso mesmo: 100 mil. Tudo bem, os norte-americanos não são parâmetro para produções estrangeiras. Mas o filme não agradou sequer aos franceses: no seu país de origem, A Humanidade levou pouco mais de 30 mil pessoas às bilheterias, número insignificante para o mercado francês.

    09 de agosto de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, e do Canal 21.

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