A ILHA DA MORTE

A ILHA DA MORTE

(El Cayo de la Muerte)

2006 , 88 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 08/05/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Wolney Oliveira

    Equipe técnica

    Roteiro: Arturo Infante

    Fotografia: Tibico Brasil

    Trilha Sonora: José María Vitier

    Elenco

    Alberto Pujol, Caleb Casas, Cláudio Jaborandy, Isabel Santos, Laura Ramos

  • Crítica

    08/05/2009 00h00

    O dilema entre as aspirações pessoais e as demandas externas são pano para a manga em todas as expressões artísticas. No cinema, essa tensão há muito é explorada e, na cinematografia brasileira, talvez tenha atingido seu auge estético e dramático com Eles Não Usam Black-Tie (1981). Nesse quesito, A Ilha da Morte guarda semelhanças com o longa de Leon Hirszman, já que ambos trabalham nesse registro: um personagem que tem de escolher entre o que ele quer ou a política que o circunda. Porém, as semelhanças param por aí.

    O segundo longa de Wolney Oliveira, que também é coordenador do Cine Ceará - Festival Ibero Americano de Cinema, tem outras pretensões e questionamentos. A começar porque a história se passa no ano de 1958, na Cuba pré-revolucionária. Segundo, porque o filme é também uma homenagem a um grupo de cineastas cubanos dos anos 50. Terceiro, porque busca conciliar o jeito de fazer um filme de amor clássico com a revolução.

    A Ilha da Morte, cuja reconstituição de época é exemplar, tem um ar ingênuo, o que não é necessariamente pejorativo. Carrega uma aura démodé, um filme que abre um apêndice no século 21 para se dar ao direito de contar uma história de meio século atrás com a inspiração daquele tempo.

    Rodolfo (Caleb Casas) é ingênuo e sonhador, à moda dos galãs de Hollywood que se entregam à sua amada. Laura (Laura Ramos), o objeto do amor, também passa pelo tradicional processo de renúncia da paixão por um bem maior. Assim como Melanie e Ashley Wilkes de ...E o Vento Levou tiveram seu amor estraçalhado pela guerra, o casal cubano se apaixona na efervescência que desembocaria na revolução e, na seqüência, fuga do ditador Fulgêncio Batista em 1º de janeiro de 1959.

    Acrescente-se outro complicador em Rodolfo: ele quer ser cineasta e, "pior", fazer um filme de amor, quando o momento histórico lhe pede que se posicione a favor do movimento que se iniciara em 1953. Esse é o cenário que Oliveira escolhe para colocar seus questionamentos: quão forte é o desejo de um aspirante a cineasta, Rodolfo, para fazer um filme? O que é maior, a arte ou a revolução?

    Para a Cuba que resultaria da revolução liderada por Fidel e Che, as duas sempre viveram em tensão, com a primeira sendo prejudicada, como mostrou Julian Schnabel em Antes do Anoitecer. Mas a via que Oliveira, que se formou em cinema em Cuba, dá é uma resposta intelectual: querendo ou não, o cinema, mesmo que se proponha romântico, não foge da política. Pena que ele só esbarre nesse ponto.

    Com um filme (El Cayo de la Muerte, rodado pelo personagem Rodolfo) dentro de outro, Ilha da Morte, Oliveira vem agregar a outras produções que já trabalharam a dicotomia entre o "eu individual" e o "eu coletivo", ou arte e política. Com as cores, enquadramentos, movimentos de câmera e aura de cinema clássico, o filme é sincero e verossímel o Rodolfo pensado pelo diretor.

    Porém, para um espectador em pleno século 21, o filme parece pouco crível ao apresentar um protagonista demasiadamente ingênuo. Uma ingenuidade difícil de ser engolida após os últimos 50 anos de história. Rodolfo é um garoto feito nos anos 50 e cujas posições frente aos seus dilemas são datadas. Afinal, a estrutura do mocinho e da mocinha, mesmo que tenha a contemporânea dicotomia entre arte e política, está um pouco desgastada, não?

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