A INVENÇÃO DE HUGO CABRET

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET

(Hugo)

2011 , 126 MIN.

Gênero: Aventura

Estréia: 17/02/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Martin Scorsese

    Equipe técnica

    Roteiro: John Logan

    Produção: Graham King, Johnny Depp, Martin Scorsese, Tim Headington

    Fotografia: Robert Richardson

    Trilha Sonora: Howard Shore

    Estúdio: GK Films

    Elenco

    Alexandra Metaxa, Angus Barnett, Asa Butterfield, Ben Addis, Ben Kingsley, Chloë Grace Moretz, Christopher Lee, Ed Sanders, Edmund Kingsley, Emil Lager, Emily Mortimer, Eric Haldezos, Frances de la Tour, Frank Bourke, Gulliver McGrath, Helen McCrory, Jude Law, Kevin Eldon, Marco Aponte, Martin Scorsese, Max Cane, Max Wrottesley, Michael Stuhlbarg, Mihai Arsene, Ray Winstone, Richard Griffiths, Robert Gill, Sacha Baron Cohen, Shaun Aylward, Stephen Box, Terence Frisch

  • Crítica

    13/02/2012 22h00

    A parceria entre o cineasta Martin Scorsese e o designer de produção Dante Ferretti é marcada por trabalhos cênicos estilizados e bem realizados, que mergulham o espectador no universo pretendido pelo diretor. Foi assim com o hospício claustrofóbico de A Ilha do Medo, a Nova York do século 19 de Gangues de Nova York e, agora, a Paris da década 30 de A Invenção de Hugo Cabret.

    No filme a cidade é retratada em tom de fábula com cores ricas e quentes e parecendo iluminada a lamparinas a óleo. Um trabalho de design de produção meticuloso e deslumbrante, rico em detalhes, que quase consegue dissimular a narrativa de pouca coesão, excessos e transição descuidada.

    A despeito de toda badalação em torno da produção - e das inúmeras indicações a prêmios -, a verdade é que A Invenção de Hugo Cabret é um filme no qual a forma se sobrepõe à substância. Uma carta de amor ao cinema que impressiona por seu visual, mas que apresenta inúmeros deslizes na condução, que incluem subtramas desnecessárias, personagens coadjuvantes que pouco têm a acrescentar e, o principal: duas histórias paralelas e não complementares entre si - apesar de seus pontos de ligação.

    A Invenção de Hugo Cabret é divido em grandes blocos de exposição. Nos minutos iniciais toda a bela ambientação citada acima é mostrada com uma varredura panorâmica de uma Paris iluminada seguida de um passeio da câmera pela estação de trem, seus interiores escondidos e as engrenagens de seus relógios. Tudo muito bonito, plasticamente surpreendente, e ressaltado por uma aplicação bem feita do 3D.

    Feita a ambientação – e a apresentação dos recursos visuais que vão acompanhá-lo até o fim da sessão – somos apresentados ao menino Hugo Cabret (Asa Butterfield). Ele mora nas galerias ocultas da estação, sobrevive de pequenos furtos e passa boa parte do tempo tentando evitar as investidas do Inspetor do lugar (Sacha Baron Cohen) e seu cão de guarda. Está ali desde que seu pai (Jude Law) morreu em um incêndio, o que o obriga a viver com seu tio beberrão que cuida dos relógios do local. Tudo o que o pai lhe deixou foi um estranho "autômato", um boneco mecanizado que tentavam consertar juntos.

    Na busca obsessiva por engrenagens que farão o robô voltar a funcionar, Hugo se confronta com um homem velho e amargo (Ben Kingsley) que dirige uma loja de brinquedos. O velho tem uma neta (Chloe Moretz), que leva Hugo a descobrir um componente importante para seu autômato. Daí em diante os dois jovens aventureiros acabam se deparando com um segredo há muito esquecido, que lança nova luz sobre o passado do avô da menina e os levará à história de George Méliès e o nascimento do próprio cinema.

    Neste ponto, apesar dos esforços do roteirista John Logan em trazer unidade para a trama, o filme avança para uma espécie de documentário sobre a história do cinema. Não que isso não seja interessante. Há sequências primorosas, como as que retratam o estúdio de Méliès e o processo de produção de seus filmes, mas a transição é um tanto tacanha. Ao contrário do menino Hugo, o filme nunca encontra a peça que faltava na engrenagem e não consegue atingir o coração do espectador, suas emoções. Prova disso está na cena em que o personagem de Chistopher Lee, um livreiro, dá a Hugo um livro. Ela nada significa, não tem peso emocional e seria totalmente dispensável.

    Nenhuma cena, no entanto, resume melhor A Invenção de Hugo Cabret como aquela em que o menino sonha ter entranhas mecânicas. Ela representa o filme por assim dizer: belamente construído no exterior, mas sem coração e conexão com os sentimentos humanos.

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