Pôster de A Juíza

A JUÍZA

(RBG)

2018 , 98 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 23/05/2019

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  • Onde assistir

    Programação

  • Ficha técnica

    Direção

    • Betsy West, Julie Cohen

    Equipe técnica

    Produção: Betsy West, Julie Cohen

    Fotografia: Claudia Raschke

    Trilha Sonora: Miriam Cutler

    Estúdio: Better Than Fiction Productions, CNN Films, Participant Media, Storyville Films

    Montador: Carla Gutierrez

    Distribuidora: Flow

    Elenco

    Ann Kittner, Arthur R. Miller, Aryeh Neier, Brenda Feigen, Clara Spera, Gloria Steinem, Harry T. Edwards, Harryette Helsel, James Steven Ginsburg, Jane C. Ginsburg, John Howard Lawson, Kathleen Peratis, Lisa Beattie Frelinghuysen, Martin D. Ginsburg, Mary Hartnett, Nina Totenberg, Ruth Bader Ginsburg, Sharron Frontiero, Stephen Wiesenfeld, Wendy Williams

  • Crítica

    07/06/2019 14h25

    Por Sara Cerqueira

    "Eu não peço favor para o meu sexo. Tudo que peço a nossos irmãos é que tirem os pés dos nossos pescoços".

    A frase da abolicionista e sufragista americana Sarah Moore Grimské consegue incorporar, em poucas palavras, a luta de diversas mulheres no decorrer da história por direitos iguais e tratamento justo em suas funções de trabalho. Se na constituição americana (e nas de muitos outros países, inclusive do Brasil) os direitos e deveres são garantidos sem discriminação de sexo, raça e classe social, sabemos muito bem, sem hipocrisia, que não é isso que acontece na prática. Mesmo com a luta pelos direitos civis e os movimentos feministas ganhando mais força e influência nos anos 50 e 60, ainda nos percebemos batalhando contra as mesmas chagas de uma sociedade centrada no poder masculino, heterossexual e branco.

    Em sua juventude, a juíza Ruth Bader Ginsburg percebeu que sua condição de mulher não era somente vista como uma característica biológica, mas como um impedimento para a realização de seus sonhos e desenvolvimento pleno de suas habilidades. No documentário RBG, dirigido por Betsy West e Julie Cohen, testemunhamos o lado mais íntimo e menos glamourizado da vida de uma mulher que lutou contra um sistema empenhado em derrubar sistematicamente mulheres e outras minorias que saíssem do local de subalternidade. Mesmo com grande potencial e determinação, sua carreira e conquistas profissionais estão longe de endeusar uma falsa e sofrida meritocracia de gênero, o que eleva o documentário a um patamar de verdade e inspiração real para mudanças sociais.

    Começando por abordar sua trajetória quando ainda era criança, nos anos 30, a diretora valorizam os incentivos que a juíza teve quando ainda era pequena dos pais e, quando jovem universitária, do marido e futuro pai de seus filhos. Ao perceberem as grandes aspirações de Ruth quando ainda jovem, seus familiares, amigos e namorado deram-lhe asas maiores ao invés de cortá-las, fator fundamental para sua carreira meteórica como advogada. Com suas conquistas ganhando notoriedade e sua chegada à Suprema Corte norte-americana nos anos 90, o filme intercala suas vitórias pessoais e profissionais à expansão do movimento feminista na Internet e suas consequências nos dias de hoje para todas as mulheres.

    O poder que uma mulher adquire individualmente é importante, mas de pouco serve se ela o exerce única e exclusivamente para benefício próprio; Ruth Bader, sabendo disso, co-fundou o Projeto dos Direitos das Mulheres na União Americana Pelas Liberdades Civis (ACLU), em 1973, participando ativamente em centenas de casos de discriminação de gênero levados aos tribunais. A força acumulada em décadas de trabalho duro serviram para emponderar, de fato, mulheres americanas que não tiveram tantas oportunidades de crescimento.

    Mesmo seguindo alguns clichês do gênero documentário biográfico, envolvendo rixas e rusgas de menor importância entre políticos da esfera conservadora e até mesmo liberal, RGB não somente cumpre muito bem seu papel como documentário (lhe rendendo as indicações ao Oscar 2019 nas categorias Melhor Documentário e Melhor Música, com o single I'll fight, de Jennifer Rudson), mas tem impacto real na vida de milhões de mulheres ao redor do mundo. Em épocas de retirada de direitos e discurso de ódio ganhando força novamente, é preciso estar atenta e sempre vigiar. Aos 86 anos, a protagonista Ruth ainda, infelizmente, tem motivos pelos quais lutar. E nós também.

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