A LUZ DO TOM

A LUZ DO TOM

(A Luz do Tom)

2012 , 88 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 08/02/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Nelson Pereira dos Santos

    Equipe técnica

    Roteiro: Miúcha Buarque de Holanda, Nelson Pereira dos Santos

    Produção: César Cavalcanti

    Fotografia: Maritza Caneca

    Trilha Sonora: Paulo Jobim

    Estúdio: Regina Filmes

    Distribuidora: RioFilme/ Bretz

  • Crítica

    04/02/2013 15h00

    O cineasta Nelson Pereira dos Santos fez dois filmes sobre o músico Tom Jobim. O primeiro, intitulado A Música Segundo Tom Jobim, lançado em 2012, propôs um mergulho na obra do compositor longe do formato tradicional dos documentários: nada de narração ou depoimentos. Santos escolheu o caminho da imagem e do som para mostrar o trabalho do músico, nada de palavras. Uma fórmula simples e de resultado excepcional.

    Quem conhecia pouco a vida de Tom, no entanto, sentiu falta de algo mais “didático”. A Luz do Tom chega às telas pra ocupar essa lacuna. Desta vez são elas, as palavras, nas vozes das três mulheres, que compõem um retrato do interessantíssimo do maestro. Depoimentos e histórias saborosas entremeadas por sua música. Essas mulheres que recriam a trajetória de Tom na tela são sua irmã Helena Jobim e as duas esposas, Ana Lontra e Thereza Hermanny.

    Codirigido por Marcos Altberg, o filme intercala os depoimentos das mulheres de Tom com belas tomadas de paisagens de Santa Catarina - onde as entrevistas com Helena foram gravadas - e também do Rio de Janeiro. Como bom documentário que é, ajuda a humanizar a figura do artista, distanciando-o do mito.

    Descobrimos, entre outras muitas curiosidades, que este teve de batalhar muito para chegar onde chegou. Muito estudo, dificuldades com o piano por causa das mãos grandes. Do jovem estudante de arquitetura para o artista respeitado internacionalmente, muita água correu. E ela, a água, se faz presente no filme o tempo todo: no mar, que Jobim tanto gostava, e em fluxo em córregos de uma bela fazenda, como a história de sua vida. Como a história de qualquer vida.

    O longa patina um pouco em seu primeiro terço, justamente nos depoimentos de Helena, a irmã. Ela interpreta para a câmera, tenta dar um ar de performance à sua participação o que causa certo incômodo. No pior momento do filme, ela, num bar, responde a perguntas de jovens sobre o irmão. Aqui a Luz do Tom perde naturalidade, logo em seguida recomposta quando entram em cena Ana, a primeira esposa, e Thereza, a última companheira do artista.

    Ao assistir A Luz do Tom leva-se consigo na memória a pessoa Tom Jobim: o homem, o pai, o amigo e também o artista e seu processo de criação. Obras como essa são essenciais porque nos fazem deixar a caverna, aquela mesma do mito de Platão, e olhar lá fora, além das sombras que definem o ídolo.

    Como não ter um divertido choque de realidade ao saber que o clássico Águas de Março foi composto num momento de tédio do músico, chateado com um trabalho maçante, que sentou no sofá para relaxar um pouco e começou a dedilhar o violão: "É pau, é pedra, é o fim do caminho..." Ana, sua esposa, deitada na cama ouviu de longe e gritou: “Ei, não pare não, continue isso. É muito bom...”

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