A Mala do Amor e da Vergonha

A MALA DO AMOR E DA VERGONHA

(SUITCASE OF LOVE AND SHAME)

2013 , 70 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Jane Gillooly

    Equipe técnica

    Produção: Jane Gillooly

    Fotografia: Beth Cloutier

    Estúdio: Love and Shame

    Montador: Jane Gillooly, Pam Larson

  • Crítica

    09/10/2014 09h39

    Na década de 60, Tom e Jeanne documentaram em áudio o relacionamento amoroso que viveram ao longo de vários anos. As traições, o sexo, as muitas declarações de amor, tudo foi gravado em uma série de fitas cassete misteriosamente encontradas dentro de uma mala colocada à venda no eBay.

    É a partir dessas fitas que a diretora Jane Gillooly constrói sua narrativa, sem preocupação com a fidelidade ou com a cronologia da história original. Recortando trechos e contando uma nova história, o filme examina criticamente esse relacionamento contraditório que muito traz do modo de vida da época.

    A Mala Do Amor e da Vergonha traz alguns momentos realmente impactantes, indo do cômico ao emocional sem dificuldades. Ao mesmo tempo em que nos emocionamos com as declarações de amor visivelmente sinceras de Tom, sentimos um certo desconforto quando ele nos conta em detalhes como usou gesso e cera de vela para construir um brinquedo sexual para Jeanne, por exemplo. Os risos que o filme nos desperta talvez sejam motivados por estarmos tão próximos de tamanha intimidade, de uma experiência que não é nossa - discussão que se repete em vários momentos.

    Todos os áudios foram cobertos por imagens aleatórias, como se fossem registros escondidos dessas gravações. Fitas cassete em movimento, sombras e imagens desfocadas que pouco mostram foram a escolha estética principal da produção. É bem verdade que o tom experimental e intimista cativa, mas sequências repetidas tornam o retrato abstrato e cansativo demais.

    Em uma posição de voyer, estar diante deste relacionamento é algo que nos coloca em confronto com nossas próprias experiências pessoais. É difícil se desvencilhar dos momentos de identificação ou dos julgamentos morais, algo que eleva a produção para um nível além de um mero storytelling.

    Muito se fala sobre o cinema de autor e sobre os limites da experiência cinematográfica. Este documentário (se é que podemos chamar assim) definitivamente não é um filme para todos e talvez seja mais palatável para aqueles dispostos a emergir nessa história. Funcionando mais como uma peça de arte transposta ao cinema do que verdadeiramente um filme, a esquizofrenia na forma é o grande defeito e o grande trunfo de A Mala do Amor e da Vergonha.

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