A MÁQUINA

A MÁQUINA

(A Máquina)

2006 , 95 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • João Falcão

    Equipe técnica

    Roteiro: João Falcão

    Produção: Diler Trindade

    Fotografia: Walter Carvalho

    Trilha Sonora: Chico Buarque de Hollanda, DJ Dolores, Robertinho de Recife

    Estúdio: Diler & Associados

    Elenco

    Aramis Trindade, Edmilson Barros, Gustavo Falcão, Lázaro Ramos, Mariana Ximenes, Paulo Autran, Wagner Moura

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    É incrível como um país como o Brasil, dono de uma riquíssima tradição na arte de se contar histórias e "causos", explore tão pouco esta habilidade na área cinematográfica. Tentando suprir pelo menos um pouco esta falha, chega aos cinemas o ótimo A Máquina, uma fábula romântica rica em forma, conteúdo e recheada da deliciosa poética nordestina.

    A Máquina nasceu como livro, assinado pela carioca Adriana Falcão. Depois veio a peça teatral, adaptada e dirigida pelo marido, o pernambucano João Falcão. E agora a história chega ao cinema, com roteiro de ambos e direção de João, marcando sua estréia na tela grande, após vários anos de experiência nos palcos e na TV.

    Em clima de sonho, fantasia e realismo fantástico, o filme se passa na minúscula cidade de Nordestina, interior de Pernambuco. É lá que nasce Antonio, garoto que passa os primeiros anos de sua vida chorando sem parar. Após uma benzedeira de sua mãe, o menino finalmente pára de chorar e suas lágrimas são magicamente transformadas em chuva, para a felicidade do lugarejo, sempre castigado pela seca. Ele passa, então, a ser considerado "O Filho do Tempo". Já moço, Antonio (agora vivido por Gustavo Falcão), apaixona-se pela bela e sonhadora Karina (Mariana Ximenes), que quer abandonar Nordestina e ganhar o mundo como atriz. Antonio não gosta da idéia: se sua amada quer o mundo, ele mesmo vai se encarregar de buscá-lo de presente para ela. Nem que para isso tenha de viajar no tempo e desafiar a morte.

    Se a trama por si só já é bela e poética, a maneira pela qual ela é contada é um capítulo a parte. O sonoro linguajar nordestino, a riqueza da língua e dos sotaques, a precisão do texto, a cultura brasileira de raiz extravasando por todos os poros do filme, tudo isso pode (e deve) ser apreciado e aplaudido. Escancarando suas origens teatrais na cenografia e na direção de arte, ao mesmo tempo em que se mostra ágil e eficiente na linguagem cinematográfica, A Máquina é uma grande surpresa do nosso cinema e, desde já, candidato como um dos melhores filmes do ano.

    O elenco é basicamente o mesmo do teatro, com Wagner Moura, Vladimir Brichta, Lázaro Ramos, Karina Falcão e Gustavo Falcão, com a inclusão de Paulo Autran e Mariana Ximenes, e fotografia de Walter Carvalho, o mesmo de Central do Brasil e Lavoura Arcaica. Quer mais? Um tema inédito especialmente composto por Chico Buarque de Hollanda.

    Não estranhe se A Máquina lembrar um familiar sabor de Guel Arraes. Afinal, Falcão foi parceiro de Guel nos especiais O Coronel e o Lobisomem, O Homem Que Sabia Javanês, Suburbano Coração e O Engraçado Arrependido, da série Brasil Especial. Ele também escreveu e dirigiu O Grande Amor da Minha Vida, Mulheres, Parece Que Foi Ontem, A Grande Noite e A Voz do Coração para a série Comédias da Vida Privada. E assinou a minissérie O Auto da Compadecida e o roteiro para o filme.

    Para quem ainda acha que o cinema não deve se deixar "impregnar" pela televisão (principalmente pela Globo), A Máquina prova que é hora de rever conceitos.

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