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A MARCHA

(La Marche)

2013 , 120 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 31/12/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Nabil Ben Yadir

    Equipe técnica

    Roteiro: Nabil Ben Yadir, Nadia Lakhdar

    Produção: Hugo Sélignac

    Fotografia: Danny Elsen

    Trilha Sonora: Stephen Warbeck

    Estúdio: Chi-Fou-Mi Productions

    Montador: Damien Keyeux

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Charlotte Le Bon, Corinne Masiero, Hafsia Herzi, Jamel Debbouze, Lubna Azabal, M'Barek Belkouk, Malik Zidi, Nader Boussandel, Olivier Gourmet, Philippe Nahon, Simon Abkarian, Tewfik Jallab, Vincent Rottiers

  • Crítica

    29/12/2015 15h27

    Ao recontar a história de feitos grandiosos, é preciso cautela para não ocorrer uma inadvertida canonização das pessoas envolvidas na narrativa. O longa A Marcha conta o protesto pacífico que percorreu mais de mil quilômetros pela França no final de 1983, mas o roteiro não poupa as falhas de caráter dos personagens.

    Tudo começou quando o jovem de origem árabe Mohamed (Tewfik Jallab) tentou salvar um mendigo (Jamel Debbouze, de Asterix Nos Jogos Olímpicos) da perseguição de um cachorro policial. Na confusão que o evento se transformou, o rapaz acaba baleado, uma vez que a ação da força policial é muitas vezes motivada por valores preconceituosos, como bem sabemos.

    Depois que se recupera do ferimento, alguns amigos de Mohamed esperam que ele tome uma atitude, de preferência violenta. Entretanto, o rapaz opta por se inspirar em figuras como Martin Luther King e Mahatma Gandhi. Assim, nasce a Marcha contra o Racismo e pela Igualdade. O plano é sair da pequena cidade onde moram e caminhar pelo interior da França até chegar a Paris para um ato de grandes proporções.

    Antes da chegada à capital, o protesto começa com um grupo pequeno e heterogêneo. Além dos peregrinos, há o rabugento René (Philippe Nahon, de As Múmias Do Faraó) no carro de apoio. Ele é um empresário aposentado que só topou participar por causa da insistência do padre Dubois (Olivier Gourmet, de Dois Dias, Uma Noite). O religioso também é responsável por obter a autorização dos pais de Farid (M'Barek Belkouk) para que ele acompanhe a caminhada. O rapaz está acima do peso, mas bastante disposto a contribuir com seus passos.

    Na primeira parada, unem-se ao bando Kheira (Lubna Azabal, de Incêndios) e sua sobrinha Monia (Hafsia Herzi, de A Fonte Das Mulheres). As duas árabes representam bem o cuidado do filme em não ser cegamente parcial. A mulher mais velha fuma incessantemente e tem temperamento forte, com grande resistência em aceitar opiniões diferentes da sua. A mais jovem encanta Sylvain (Vincent Rottiers, de Renoir), um rapaz branco amigo de Mohamed. O amor entre os dois tem problemas para se concretizar, apesar de ambos serem ativistas contra preconceitos raciais.

    No grupo também está a fotógrafa canadense Claire (Charlotte Le Bom, de A Travessia), que segue a caminhada para realizar o registro. A moça também serve como acesso a outros temas, como o feminismo e a diversidade sexual. Seu melhor amigo dentro do bando é o músico Yazid (Nader Boussandel), que já teve passagens pela polícia. O artista humaniza os conflitos do filme.

    A Marcha não esconde os desvios de caráter de seus personagens, o que possibilita cenas com alto teor de autenticidade – além de discussões acaloradas, bem ao gosto dos franceses. Com personagens esféricos, os conflitos explorados no roteiro ganham profundidade, o que gera debates mais frutíferos após a sessão de cinema.

    Não é apenas no campo humano que habita a verdade da produção, que é baseada em uma história real. As contradições internas dos movimentos sociais também são abordadas, como o caso do flerte proibido entre Sylvain e Monia. Além disso, há visões diferentes e autoritárias de como protestar, rixas entre ativistas para impor pautas e disputas ególatras. É com essa receita tão complexa e balanceada de personagens e temas que A Marcha consegue encantar.

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