À MARGEM DO LIXO

À MARGEM DO LIXO

(À Margem do Lixo)

2008 , 84 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 04/11/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Evaldo Mocarzel

    Equipe técnica

    Roteiro: Evaldo Mocarzel, Willem Dias

    Produção: Assunção Hernandes

    Fotografia: André Lavenére, Gustavo Habda

    Trilha Sonora: Marcus Siqueira, Thiago Cury

    Estúdio: Casa Azul Produções Artísticas, Raiz Produções

    Distribuidora: Raiz Distribuidora

  • Crítica

    01/11/2011 15h57

    À Margem do Lixo é um filme de luta política. Honesto, não esconde a intenção de defender os catadores de materiais recicláveis, ampliar o alcance de suas reivindicações e colocar a importância da categoria na cadeia produtiva.

    Essa sinceridade que sobra no filme de Evaldo Mocarzel (Cuba Libre) falta, por exemplo, a Lixo Extraordinário. Terceiro capítulo da tetralogia sobre a exclusão, o documentário se coloca como ferramenta de luta. Como tal, busca a desconstrução de um discurso hostil aos catadores.

    Parece exagero ressaltar essa premissa, mas é uma observação necessária para que ninguém reclame da falta do “outro lado” no documentário. Cinema não é jornalismo, e mesmo neste sabemos o quão falaciosa é a dualidade dos dois lados.

    Uma ferramenta de luta, um filme de esclarecimento e um gesto em descobrir quem são essas pessoas que puxam carroças nas ruas de metrópoles. Essa é a tríade que sustenta À Margem do Lixo. Sem paternalismos, ressalte-se. “Nós [catadores] não somos coitadinhos, somos trabalhadores”, diz um dos entrevistados.

    Certamente não merecem piedade, mas sim respeito, postura que o documentário deixa claro ao apresentar ao público a rotina de um catador, os problemas da categoria, o lobby de grandes empresas numa indústria que movimenta centenas de milhões e a mentirosa “responsabilidade social”.

    É quando vai para as ruas acompanhando seus personagens que À Margem do Lixo consegue dar a dimensão do problema. Primeiro, numa cidade como São Paulo, em que o desenho urbano sempre prioriza o automóvel, catadores são tão vítimas da animosidade quanto os ciclistas. Segundo, porque mesmo com o crescimento do discurso de conservação do meio ambiente, catador ainda é sinônimo de preguiçoso – tanto que um motorista grita “Vai trabalhar, vagabundo!”.

    Terceiro: mesmo se tratando de uma categoria de vital importância, ainda é mal remunerada e composta por pessoas de baixa escolaridade. É quando um catador arrasta sua carroça pela Oscar Freire, rua em São Paulo repleta de lojas de luxo, que a desigualdade brasileira fica explícita. Quarto: porque o município é governado por Gilberto Kassab, prefeito constantemente em choque com a categoria.

    À Margem do Lixo não tem o fôlego – nem a pretensão – de ir além da questão política como Efeito Reciclagem. É um gesto pontual de falar de trabalhadores como qualquer outros. Merecedores de respeito e condições dignas, direitos que ainda não desfrutam.

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