A MEMÓRIA QUE ME CONTAM

A MEMÓRIA QUE ME CONTAM

(A Memória Que Me Contam)

2012 , 95 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 14/06/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Lúcia Murat

    Equipe técnica

    Roteiro: Lúcia Murat, Tatiana Salem Levy

    Produção: Daniel Lion, Denis Feijão, Martha Ferraris

    Fotografia: Guillermo Nieto

    Trilha Sonora: Diego Fontecilla

    Estúdio: Taiga Filmes

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Clarisse Abujamra, Franco Nero, Hamilton Vaz Pereira, Irene Ravache, José Carlos Machado, Miguel Thiré, Naruna Kaplan de Macedo, Otávio Augusto, Patrick Sampaio, Simone Spoladore

  • Crítica

    10/06/2013 07h00

    A diretora Lúcia Murat (Quase Dois Irmãos) revisita a ditadura neste filme que tem como ponto de partida a internação de Ana, ex-guerrilheira interpretada por Simone Spoladore. A personagem é livremente inspirada em Vera Silvia Magalhães, ex-guerrilheira que participou do sequestro do embaixador norte-americano no Brasil em 1969 e que se tornou um ícone para a esquerda.

    A Memória que me Contam é bem conduzido e tecnicamente irrepreensível. Não é sobre a ditadura, mas sobre pessoas que lutaram contra o regime, sobreviveram e hoje vivem num tempo diferente, um país alheio às convicções que marcaram suas vidas no passado. No longa, este choque de realidade é dado pelos personagens jovens, filhos desses militantes do passado, que agora enxergam o mundo por sua ótica, de acordo com suas realidades.

    Normal, afinal, felicidade para quem não tem o que comer é garantir a próxima refeição. Quem lutou contra a ditadura, seja pegando em armas ou intelectualmente, por meio da arte, buscava o mínimo, o próximo prato, a liberdade. A geração que veio depois, na qual me incluo, tem outras aspirações, mais além, menos aguerridas talvez, por já temos o mínimo: o direito de se expressar livremente.

    Encontramos tudo isso no filme de Lúcia Murat, obra que inclusive não renega os erros cometidos por quem se opunha ao regime. Num dos bons momentos do filme, uma militante expõe um pensamento que pouco se leva à tona quando o assunto são os anos de chumbo do Brasil. Muitos que lutavam contra a ditadura queria substituí-la por outra, a ditadura do proletariado, que como se sabe hoje, não deu certo em nenhum lugar do mundo.

    Elucubrações políticas de lado, o fato é que A Memória que me Contam me fez repensar em o quanto nosso cinema ainda tem dificuldades de contar a história de pessoas, seu dia-a-dia e vivências, e, ao mesmo tempo, falar de política com naturalidade e sem um tom solene e didático, que no filme de Murat é mal disfarçado.

    Essa sensação assoma ainda mais quando vemos nossos vizinhos argentinos fazendo isso tão bem. Filmes como A História Oficial, Kamchatka, Crônica de um Fuga e o recente Infância Clandestina são exemplos de como abordar a política do passado com a naturalidade e distanciamento suficientes para abrir espaço para as figuras humanas crescerem na tela.

    Esse artificialismo de personagens e diálogos gera um efeito colateral grave: manter o público distante. Quando chega a seu fim, A Memória que me Contam deveria emocionar, deveria ter gerado ao longo de sua exibição um estreitamento de laços entre plateia, personagens e seus dramas, mas isso não acontece. Vemos tudo à distância, sem nos envolver mais do que o suficiente para nos mantermos atentos ao que se desenrola na tela. Ainda não foi dessa vez.

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