A Menina que Roubava Livros

A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS

(The Book Thief)

2014 , 132 MIN.

10 anos

Gênero: Drama

Estréia: 31/01/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Brian Percival

    Equipe técnica

    Roteiro: Markus Zusak, Michael Petroni

    Produção: Karen Rosenfelt, Ken Blancato

    Fotografia: Florian Ballhaus

    Trilha Sonora: John Williams

    Estúdio: Fox Film, Studio Babelsberg Motion Pictures

    Montador: John Wilson

    Distribuidora: Fox Film do Brasil

    Elenco

    Barbara Auer, Beata Lehmann, Ben Schnetzer, Carina N. Wiese, Carl Heinz Choynski, Emily Watson, Geoffrey Rush, Gotthard Lange, Heike Makatsch, Hildegard Schroedter, Julian Lehmann, Kirsten Block, Levin Liam, Ludger Bökelmann, Matthias Matschke, Nico Liersch, Nozomi Linus Kaisar, Oliver Stokowski, Paul Schaefer, Rafael Gareisen, Rainer Bock, Rainer Reiners, Robert Beyer, Roger Allam, Sandra Nedeleff, Sebastian Hülk, Sophie Nélisse

  • Crítica

    28/01/2014 17h06

    Por Daniel Reininger

    A esperada adaptação cinematográfica do best-seller A Menina que Roubava Livros não captura a essência da obra literária. A poderosa ambientação perde força com retrato débil dos horrores da Segunda Guerra Mundial, amenizados pelo diretor Brian Percival para tornar o longa atrativo aos mais jovens. Incapaz de transmitir a ironia da vida pela visão da Morte, o que sobra é apenas uma sombra da história criada por Markus Zusak.

    Narrada pelo próprio Ceifador e ambientada na Alemanha nazista, a trama segue a jovem Liesel (Sophie Nelisse), filha de comunistas que é adotada por Hans (Geoffrey Rush) e Rosa (Emily Watson), após a morte de seu irmão. Analfabeta, a garota aprende a ler com seu novo "papa" e encontra conforto nas palavras escritas. Sem opção, ela começa a roubar e compartilhar livros e, aos poucos, também passa a escrever com o incentivo de um jovem judeu que a família esconde no porão.

    Acompanhar a Segunda Guerra Mundial pelos olhos de Liesel custa caro ao filme. Fome, desemprego e holocausto parecem fatos distantes e os momentos que tentam mostrar o tema mais explicitamente não causam o impacto necessário. Diferente do livro, o longa-metragem evita cenas fortes para agradar ao público infanto-juvenil, porém a linguagem não combina com a forma como a narrativa é conduzida, cujo ritmo lento pode se mostrar um desafio para os mais jovens, que estão acostumados com agilidade.

    Em contrapartida, o roteiro faz bem ao eliminar alguns personagens e subtramas sem comprometer a essência da história. Os principais momentos da vida de Liesel estão lá e é mérito do diretor Brian Percival mostrar adversidades e conquistas sem forçar a barra todo o tempo para criar momentos emotivos.

    O problema do texto é a mistura de inglês com alemão nos diálogos. Embora o livro utilize esse recurso para destacar certas palavras que têm significados específicos, é algo que fica estranho na tela. Se os personagens estão na Alemanha que falem alemão ou assumam logo a língua de Hollywood, afinal o espectador entenderia essa decisão como meio para facilitar as coisas. É incomodo ouvir palavras ou mesmo diálogos em alemão aparecerem jogados em meio a falas em inglês com sotaque.

    O elenco compensa essa falha muito bem. Geoffrey Rush é conhecido por personagens extravagantes e aqui prova ser habilidoso também ao interpretar o homem comum. Ele é o principal responsável pela doçura e humor do filme. Emily Watson também está perfeita como mulher dura que esconde seu lado sensível. Ela enfrenta muito bem o papel clichê, sem transformá-lo em algo caricato. A protagonista Nelisse combina com Liesel, marca pelo olhar expressivo e conduz a trama com competência.

    Além disso, a impecável direção de arte reproduz com detalhes os anos 30 e 40. A ambientação é reforçada com a fotografia sombria e tomadas abertas. A trilha de John Williams, que volta a trabalhar com outro diretor além de Steven Spielberg depois de muitos anos, complementa as cenas, sem exageros. Entretanto, a produção falha ao manter as crianças exatamente iguais ao longo de cinco anos e poderia ter sido feito trabalho melhor de maquiagem.

    A Menina que Roubava Livros fala sobre a vida e amizade, mesmo que alivie questões pesadas que aprofundariam o enredo. Não é um grande filme, especialmente comparado a outros contos sobre o conflito, mas ao menos tenta mostrar Liesel como luz num mundo (não tão) escuro, cuja vontade de superar desafios chama a atenção da Morte. Apesar das falhas, fãs e curiosos certamente sairão da sala com olhos marejados e com vontade de ler (ou reler) o livro.

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