Críticas

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À MODA DA CASA

(Fuera de Carta, 2008)

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14/01/2010 17h42
por Heitor Augusto

À Moda da Casa é um bom exemplo de que, quando um bocado de clichês trabalha a favor da trama, o ritmo da comédia é preservado e as piadas rápidas funcionam: a diversão está garantida.

Para dar uma ideia do tom do filme, é como se Almodóvar cortasse toda sua riqueza dramatúrgica e os personagens profundos para manter apenas o frenesi, o clima fora de controle e o humor de tempero gay. Menos sofisticado e mais chulo, direto ao ponto e tipicamente espanhol.

A ação se desenrola em torno de um descontrolado chef de cozinha, Max (Javier Cámara, de Fale com Ela), obcecado por integrar o Guia Michelin, que dará novo status ao seu restaurante e o salvará da falência. Enquanto isso, tem de lidar com as desilusões amorosas de sua maître (Lola Dueñas, de Volver), o novo namorado e os filhos de um casamento frustrado que acabaram de reaparecer.

Longe da pretensão de ser uma comédia elaborada, com um timing de Steve Martin, as sacadas de Judd Apatow ou a sofisticação de Groucho Marx, À Moda da Casa depende da gozação dos clichês (o jogador que não sai do armário, os pais que não entendem a homossexualidade, o ajudante problemático). Não fará diferença alguma na filmografia mundial, mas é um divertido e efêmero passatempo.

Óbvio que a história do cinema não foi construída por efemeridades, senão essa arte já teria sido sepultada. À Moda da Casa traz aquela sensação de “vale o ingresso”, o que nos reduz à função de consumidores. Cinema nasceu como arte e produto, há realizadores que reforçam sua transcendência e outros apostam no conforto do consumo.

Particularmente, acredito no primeiro, mas o longa de Nacho G. Velilla sabe como atacar na segunda frente. Quem tiver no pique de pagar o ingresso, sentar, dar risada e usar o cinema como objeto de puro entretenimento, À Moda da Casa não falha em sua missão: passar o tempo.

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