A NEGOCIAÇÃO

A NEGOCIAÇÃO

(Arbitrage)

2012 , 107 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 21/12/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Nicholas Jarecki

    Equipe técnica

    Roteiro: Nicholas Jarecki

    Produção: Justin Nappi, Kevin Turen, Laura Bickford, Robert Salerno

    Fotografia: Yorick Le Saux

    Trilha Sonora: Cliff Martinez

    Estúdio: Alvernia Production, Artina Films, Green Room Films, Lucky Monkey Pictures, Treehouse Pictures

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Alex Kruz, Alyssa Sutherland, Angel Picard-Ami, Austin Lysy, Barbara Vincent, Brit Marling, Bruce Altman, Chris Eigeman, Curtiss Cook, Darly Wanatick, Darryl Reuben Hall, Evelina Turen, Fabrizia Dal Farra, Felix Solis, Gabrielle Lazure, Io Bottoms, Jennifer Butler, Jenny Rostain, Josh Pais, Laetitia Casta, Larry Pine, Lipica Shah, Marshall Factora, Monica Raymund, Nate Parker, NIcole Roderick, Paula Devicq, PaulWeaver, Pete Fasanelli, Quinn Friedman, Rachel Heller, Richard Gere, Sam Kitchin, Sophie Curtis, Stuart Margolin, Susan Sarandon, Tim Roth, William Friedkin, William Henderson White, Zack Robidas

  • Crítica

    19/12/2012 22h16

    Mais do que tentar saber o que acontecerá com o protagonista desse filme ao final da trama, o espectador de A Negociação é levado a refletir sobre o que faria se estivesse passando pela mesma situação. A tensão deste longa não está na tela, mas dentro de nós mesmos. Julgar os atos de Robert Miller (Richard Gere) não é tarefa fácil. Este personagem bem construído pelo roteiro do também diretor Nicholas Jarecki é a representação da desfaçatez. Seu cinismo, no entanto, não está na superfície. É uma das camadas de sua labiríntica personalidade.

    Começamos a nos enredar na dualidade moral deste indivíduo aos poucos. Depois de uma vida dedicada ao trabalho, Miller conseguiu juntar uma pequena fortuna com a empresa de investimentos que comanda. Voltando de uma de suas viagens de negócios, comemora com a família seu aniversário de 60 anos. A cena evoca a felicidade de se estar entre seus pares.

    Depois de soprar as velinhas, Miller exalta o valor da família. Parece lamentar os anos perdidos em sua rotina estafante de trabalho. Sua ideia é vender o império que construiu, se aposentar e passar mais tempo ao lado da família. Ao saber dos planos do pai, a filha Brooke (Brit Marling), uma das executivas da empresa, questiona o que farão juntos fora do ambiente corporativo. Temos aqui o primeiro sinal de que a prosperidade financeira dessa família tenha custado um preço alto demais.

    Outras indicações virão. Uma delas logo em seguida, depois de Miller abandonar a comemoração alegando à mulher Ellen (Susan Sarandon) – ela cuida das ações filantrópicas da empresa -, ter de ir ao escritório resolver alguns problemas. Os dois se despedem em clima romântico e com a promessa de uma noite quente quando ele voltar. Voltamos a ter a percepção de que há amor permeando essas relações. O executivo, no entanto, não está indo para o escritório.

    Jarecki conduz sua trama pontuando-a de momentos que se contradizem. Em suas atitudes, Miller se apresenta com a complexidade típica de um ser humano. A transação de venda de sua empresa esconde um segredo e existe um duelo de enxadristas entre ele e o possível comprador quanto a isso. E o interessante é notar que no alto mundo corporativo é possível que o xeque-mate de um não signifique a derrota do outro. E se todos saem ganhado, que mal há em agir de má fé?

    Em dado momento da trama temos uma reviravolta. Um acidente de carro deixa um morto e complica a vida de Miller. Ele deixa o carro e foge. Poderia não ter feito isso. Não é culpado de nada. Mas seus negócios e sua vida pessoal dependem de não estar ali, de não estar envolvido no desastre. E não se engane: alguém que ascendeu ao ponto de um rico homem de negócios não chegou lá à toa. Miller fará o possível para dissociar seu nome de tudo aquilo e concluir seus intentos.

    Até onde ele pode chegar e o quanto de moralidade ainda corre nas veias desse homem o público vai descobrir no desenrolar do filme. Atrás de seus propósitos, Miller acaba prejudicando Jimmy (Nate Parker), filho de um antigo parceiro de negócios, sua filha e a mulher. Um policial interpretado por Tim Roth vai tentar incriminá-lo, mas mesmo este personagem não funciona como um contraponto à suposta imoralidade de Miller. Se podemos questionar a decência do empresário, podemos também refutar o caráter do policial.

    Este é o grande mérito de A Negociação. Neste filme não há heróis e vilões. No final das contas, todos agem movidos por seus interesses e necessidade de autopreservação. E quem poderia condenar Miller? No filme, ninguém. Para quem está do outro lado da tela, sentado na poltrona, fica difícil também.

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