A NOIVA-CADÁVER

A NOIVA-CADÁVER

(Corpse Bride)

2005 , 77 MIN.

Gênero: Animação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Mike Johnson, Tim Burton

    Equipe técnica

    Roteiro: Caroline Thompson, John August, Pamela Pettler

    Produção: Allison Abbate, Tim Burton

    Fotografia: Pete Kozachik

    Trilha Sonora: Danny Elfman

    Estúdio: Laika Entertainment, Patalex Productions, Tim Burton Animation Co, Tim Burton Productions, Warner Bros. Pictures, Will Vinton Studios

    Elenco

    Albert Finney, Christopher Lee, Danny Elfman, Deep Roy, Emily Watson, Enn Reitel, Helena Bonham Carter, Jane Horrocks, Joanna Lumley, Johnny Depp, Lisa Kay, Michael Gough, Paul Whitehouse, Richard E. Grant, Stephen Ballantyne, Tracey Ullman

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Não é preciso muita ousadia para afirmar que Tim Burton é um dos cineastas mais criativos da atualidade. Em sua mais recente criação, a animação A Noiva-Cadáver, o cineasta brinda o espectador com sua inspiração. O fascínio exercido pelo roteiro é complementado pela animação gótica, feita na tradicional técnica stop-motion (quadro a quadro), que demorou nada menos do que dez anos para ser desenvolvida da forma como Tim Burton idealizou.

    A Noiva-Cadáver é uma fábula musical adulta. Seu roteiro, inspirado em uma lenda russa, conta a história de Victor (voz de Johnny Depp na versão original). Filho de peixeiros enriquecidos com os negócios, está de casamento marcado com Victória (voz de Emily Watson), filha de uma família tradicional, porém empobrecida. O casamento de conveniência entre os dois jovens, que se vêem pela primeira vez no dia do ensaio da cerimônia, é adiado porque o padre não acredita que o noivo está em plena capacidade de se casar. Treinando seus votos na floresta vizinha à cidade, Victor coloca a aliança no que parece ser um galho. No entanto, trata-se da mão da Noiva-Cadáver que dá nome ao filme (dublada por Helena Bonham Carter na versão original). Morta pouco antes de seu próprio casamento e enterrada na floresta, ela passou anos esperando pelo homem que a libertaria da solidão no mundo dos mortos e se casasse com ela. Mas essa não é a real intenção de Victor, que, incapaz de dizer a verdade à Noiva-Cadáver, não consegue desfazer o mal-entendido.

    Desenvolve-se, então, uma divertida trama sobre o amor não-correspondido e a idealização do outro. Por mais que se trate de uma alegoria entre personagens que transitam entre o mundo dos vivos e dos mortos, A Noiva-Cadáver mostra ao espectador uma bela metáfora ao que, inevitavelmente, experimentamos uma (ou algumas) vez na vida: amar e não ser amado. A idealização do outro, que acontece a todo momento no filme de Burton - especialmente em se tratando da personagem que dá nome à produção - não é prática exclusiva dos mortos, ou dos personagens de fábula, mas sim de qualquer pessoa disposta a amar. A temática, adulta e muitas vezes depressiva, é tratada com bom humor em uma estética de encher os olhos.

    A ironia está presente no roteiro, assim como na construção da fotografia. Enquanto que o mundo dos vivos é duro e seus relacionamentos são baseados na falsidade, no mundo dos mortos o que predominam são as cores e luzes fortes. Até a trilha sonora guarda essa ambigüidade ao reservar as músicas mais animadas às passagens protagonizadas por mortos.

    O tipo de animação é o mesmo de O Estranho Mundo de Jack (1993). A estética gótica e obscura continua presente e os personagens são tão bem desenvolvidos quanto a primeira animação criada por Burton. A composição dos coadjuvantes de A Noiva-Cadáver é mais espalhafatosa ainda do que a do triângulo amoroso protagonista. A cena musical protagonizada por caveiras, por exemplo, é inesquecível, assim como todo o resto da animação, para falar a verdade. A Noiva-Cadáver é uma animação feita somente para o público adulto. Nesta produção, Tim Burton prova, mais uma vez, ser capaz de trabalhar elementos infantis (a animação, neste caso) a fim de criar uma fábula adulta de enorme apelo visual.

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