A NOIVA SÍRIA

A NOIVA SÍRIA

(The Syrian Bride)

2004 , 97 MIN.

anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Eran Riklis

    Equipe técnica

    Roteiro: Eran Riklis, Suha Arraf

    Produção: Antoine de Clermont-Tonnerre, Bettina Brokemper, Eran Riklis, Michael Eckelt

    Fotografia: Michael Wiesweg

    Trilha Sonora: Cyril Morin

    Estúdio: Eran Riklis Productions

    Elenco

    Adnan Trabshi, Ashraf Barhoum, Clara Khoury, Evelyne Kaplun, Eyad Sheety, Hiyam Abbass, Julie-Anne Roth, Makram J. Khoury, Marlene Bajjali, Uri Gabriel

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    A cultura de países do Oriente Médio parece ser um mistério, às vezes. Como um povo inteiro pode não ter nacionalidade? Como uma mulher é capaz de se casar com alguém que nunca tocou e, além de tudo, aceitar nunca mais ver sua família por conta da união? Como um simples carimbo pode atrapalhar a vida de tantas pessoas? São essas as questões que permeiam A Noiva Síria. Co-produção entre França, Alemanha e Israel, trata-se de um drama que, de tão surreal, carrega uma certa comédia.

    Na fronteira entre Israel e Síria, nas colinas de Gola, habita a comunidade drusa Majdal Shams, ocupada por Israel desde 1967. É lá onde acompanhamos um dia na vida de seus moradores, em especial Mona (Clara Khoury), cujo casamento pára a vila, assim como a presença de um líder político. A agitação toda move principalmente sua família. O pai, Hammed (Makram J. Khoury), é um dos homens mais respeitados da vila e está em liberdade condicional por conta de suas atividades políticas. Teimoso, participa da passeata em favor da libertação de sua população dos domínios israelenses, mesmo correndo risco de ser preso novamente. Durão, nega aceitar de volta o filho que casou-se com uma russa. Mas quem parece mais sofrer com o casamento - mais até do que Mona, que não consegue demonstrar muitos sentimentos ou reações - é sua irmã mais velha Amal (Hiam Abbass, a mais famosa do elenco, tendo participado de filmes como Munique, Free Zone e Paradise Now). Moderna demais para a tradicional aldeia, ela luta para ingressar na faculdade agora que suas filhas estão crescidas. Para ela, nunca mais ver a irmã mais jovem é doloroso demais.

    O noivo de Mona é o astro de TV Tallel (Derar Sliman). Parente distante da família, ele aceitou o casamento sem nunca ter tido qualquer contato pessoal com noiva. Como ele mora na Síria e a aldeia de Mona é dominada por Israel, ele não pode ir até lá. O local neutro é a fronteira entre os dois países e é lá que acontece o casamento. Vestida de branco, a noiva transita entre a vila e entre a fronteira de uma forma ansiosa. Uma vez do lado de lá, nunca mais poderá voltar. Ao mesmo tempo em que ela está triste por não poder mais ver sua família, Mona deseja mudar de vida completamente e é isso que o casamento significa para ela.

    Na fronteira, juntam-se a família, a polícia - atrás do pai de Mona, que não poderia estar ali por causa da liberdade condicional -, o funcionário do governo responsável pelo casamento (que em nada difere de funcionários públicos brasileiros, o que é engraçado de observar), os policiais que vigiam a fronteira, funcionárias da ONU (Organização das Nações Unidas) e a família do noivo. Está armado o palco para que mal-entendidos bizarros, sempre relacionados a essa confusão cultural dentro do Oriente Médio.

    A Noiva Síria discute, também, o papel das mulheres dentro dessa sociedade. Renegadas a segundo plano, casam-se com quem a família escolher, não têm direito a estudo, muito menos voz político-social. De uma forma leve, um tanto quanto triste - afinal, ver uma noiva que nunca sorri não é nada feliz -, a produção apresenta a situação tanto dos moradores de Majdal Shams quanto das mulheres no Oriente Médio, em geral, de uma forma que passa longe do panfletário, dando leveza à comédia dramática.

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