A NOVA ONDA DO IMPERADOR

A NOVA ONDA DO IMPERADOR

(The Emperor's New Groove)

2000 , 100 MIN.

anos

Gênero: Animação

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Mark Dindal

    Equipe técnica

    Roteiro: David Reynolds

    Produção: Randy Fullmer

    Trilha Sonora: David Hartley, John Debney, Sting

    Estúdio: Walt Disney Pictures

    Elenco

    David Spade (Kuzco), Eartha Kitt (Yzma), Humberto Martins (Pacha), John Goodman (Pacha), Marieta Severo (Yzma), Patrick Warburton (Kronk). Selton Mello (Kuzco)

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Quem é fã dos desenhos de longa metragem produzidos pela Disney já sabe: o estúdio costuma trabalhar com duas linhas bem diferentes de produção. A primeira podemos chamar de "linha nobre', de onde saem os candidatos a clássicos como A Bela e a Fera, O Corcunda de Notre Dame e O Rei Leão, por exemplo. São desenhos de altíssimo grau de sofisticação técnica, mensagens edificantes, e canções que certamente ganharão um Oscar. A segunda linha é, digamos, mais simplificada, de traços mais caricaturais, tramas mais rasas, e ênfase total no aspecto cômico. São desenhos do tipo Hércules e - agora - A Nova Onda do Imperador, que estréia esta semana no Brasil.
    Não que Hércules ou A Nova Onda... sejam de alguma maneira inferiores a O Rei Leão ou A Bela e a Fera. Nada disso. Eles são apenas diferentes, mais soltos, talvez até menos pretensiosos. E certamente muito mais engraçados.

    A Nova Onda do Imperador se passa no antigo Império Inca, onde hoje estão, basicamente, o Peru e o Equador. O imperador do título é Kuzco, rapaz de 17 anos, alegre, descolado, com jeitão de skatista carioca, mas que não sabe administrar a gigantesca quantidade de poder que têm em mãos. Totalitário, mimado e injusto, o jovem Kuzco é um terror para os habitantes do seu vasto império. Até que um dia um feitiço o transforma numa lhama, para a previsível e inevitável lição de moral que o desenho precisa trazer.

    A história, porém, não é importante. A Nova Onda do Imperador se destaca pela hilariante construção de seus personagens. Desde o pedante Kuzco (como gente ou como lhama), até a malvada feiticeira Yzma, passando pelo camponês grandalhão e boa praça Pacha, todos os personagens do desenho são magnificamente bem estruturados. Não há maniqueísmos, todos têm defeitos e qualidades, são razoavelmente profundos (para um desenho de menos de uma hora e meia), humanos, falíveis e - acima de tudo - muito divertidos.
    Quem rouba a cena, porém, é Kronk, ajudante grandalhão de Yzma, uma hilariante mistura de vilão de ocasião com garotão californiano. Nas cenas onde Kronk se desdobra em dois outros personagens (sua consciência e seu diabinho de plantão), o riso é triplicado.

    Produzido por mais de 400 artistas que trabalharam durante dois anos e meio nos estúdios Disney da Flórida e de Paris, A Nova Onda do Imperador pode nunca se tornar um clássico da animação, mas é um dos mais hilariantes desenhos que a empresa lançou nos últimos anos.
    A excelente dublagem brasileira também contribuiu muito para isso. Selton Mello (Kuzko), Marieta Severo (Yzma) e Guilherme Briggs (Kronk) não ficam devendo nada a David Spade, Eartha Kitt e Patrick Warburton, os dubladores da versão original americana. Assim como Ed Motta - comandando a versão brasileira da trilha - também não deve nada a Sting, responsável pelas canções originais. E não há nenhum patriotismo nessa afirmação. É puro talento mesmo.

    Toque final: como não poderia deixar de ser, novamente os norte-americanos passam atestado de incompetência geográfica e cultural. Numa determinada cena do desenho, um grupo de crianças - supostamente incas ou peruanas, que seja - realizam a tradicional quebra da "piñata", uma brincadeira tipicamente mexicana. Só faltou o mambo...


    28 de dezembro de 2000

    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus