A PARTIDA

A PARTIDA

(Okuribito/ Departures)

2008 , 130 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 05/06/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Yôjirô Takita

    Equipe técnica

    Roteiro: Kundo Koyama

    Fotografia: Takeshi Hamada

    Trilha Sonora: Joe Hisaishi

    Elenco

    Kazuko Yoshiyuki, Kimiko Yo, Masahiro Motoki, Ryoko Hirosue, Takashi Sasano, Tsutomu Yamazaki

  • Crítica

    03/06/2009 17h31

    A Partida é o tipo de filme que nunca chegaria aos cinemas brasileiros se não carregasse na bagagem o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2009. Isso porque é um drama pequeno, cuja beleza está bastante ligada ao entendimento da essência da cultura japonesa. A surpresa, portanto, fica na forma como ele conquistou a Academia de Hollywood a ponto de lhe conceder uma estatueta à produção. Há mais de 30 anos um filme do Japão não vencia nesta categoria; o último foi em 1975, com Dersu Uzala, de Akira Kurosawa.

    Com roteiro escrito por Kundo Koyama em sua estreia no trabalho num longa-metragem, A Partida acompanha Daigo Kobayashi (Masahiro Motoki), um devotado músico especializado no violoncelo. Ele trabalha numa orquestra em Tóquio, mas o desinteresse no trabalho do grupo é evidente. Sem atrair público, a orquestra é dissolvida, levando o protagonista de volta à cidade onde foi criado, no interior do Japão. Acompanhado da sempre solícita esposa, Mika (Ryoko Hirosue, de Wasabi), ele tenta reconstruir a vida onde a mãe morava. Ele responde a um anúncio nos classificados no qual se lê “partidas”, cujo significado é ambíguo: pode ser partidas ou despedidas. Imaginando ser uma agência de turismo, Kobayashi se candidata ao cargo na empresa, mas descobre que o cargo disponível é numa funerária, como o profissional que prepara os corpos dos mortos antes de serem enterrados, ritual conhecido no Japão como nokanshi. Aos poucos, ele mesmo torna-se cada vez mais orgulhoso da função, tomando gosto pelo aperfeiçoamento na arte do nokanshi, agindo como um guardião dos portões que dividem a vida e a morte.

    O conflito entre o Japão moderno e o tradicional permeia toda a trama de A Partida. Seja no desinteresse do público em relação à orquestra, seja na decadência da casa de banhos, que há muito deixou de despertar o interesse na cidade de Daigo. E, principalmente, a prática do protagonista, a de conduzir o último ritual antes da cremação do morto, uma cerimônia tão repleta de simbologias e, principalmente, respeito por um corpo que está prestes a ser transformado em cinzas. O protagonista, tão apático no início do filme, ganha forças na medida em que entende seu novo trabalho; é como se ele ganhasse vida, deixasse de lado tanta apatia na ironia de lidar com corpos mortos.

    A Partida tem um toque de humor muito peculiar, uma forma do diretor lidar com o assunto tão complicado como a morte. No entanto, quando assume o viés dramático e dá mais força ao protagonista, é o momento no qual o filme também cresce e ganha uma forma mais madura e desenvolta. Existe esse distanciamento no tratamento, uma aparente frieza típica da cultura do país, dissolvida pelo respeito presente na cerimônia que o protagonista passa a conduzir. Em meio a essa máscara fria, existe uma trama desenvolvida de forma extremamente emocionante. Desta forma, trata-se de um sensível retrato de como japoneses e sua tradição tão peculiar são capazes de lidar com a morte, bem como um objeto de reflexão em relação a essa questão tão recorrente no Japão, o embate entre as tradições do país e a modernidade.

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