A PARTILHA

A PARTILHA

(A Partilha)

2001 , 93 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Daniel Filho

    Equipe técnica

    Roteiro: Daniel Filho, João Emanuel Carneiro, Mark Haskell Smith, Miguel Falabella

    Produção: Daniel Filho

    Fotografia: Félix Monti

    Trilha Sonora: Ed Motta, Nelson Motta

    Elenco

    Andréa Beltrão, Chica Xavier, Cininha de Paula, Dênis Carvalho, Fernanda Rodrigues, Glória Pires, Guta Stresser, Herson Capri, Lília Cabral, Lui Mendes, Marcello Antony, Paloma Duarte

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Nem sempre um filme baseado em uma peça de teatro funciona bem. Muitas vezes, colocar na tela aquilo que foi sucesso nos palcos resulta falso. O ritmo fica lento, a linguagem cinematográfica não é bem explorada e as pessoas saem comentando que “a peça era bem melhor”. Felizmente, nada disso aconteceu na excelente comédia dramática A Partilha.

    Baseado na peça homônima de Miguel Falabella, o filme A Partilha deixou para trás a linguagem teatral. Usando e abusando da excelência de todo o seu elenco, o diretor e também roteirista Daniel Filho realizou um trabalho de primeira linha, ao mesmo tempo divertido e emocionante, que tem tudo para se transformar num dos maiores sucessos brasileiros de bilheteria deste ano.

    A história começa com a morte de uma matriarca, que deixa para suas quatro filhas um belo apartamento de cobertura em Copacabana, juntamente com alguns móveis e objetos de antiguidade. Realizado o enterro, as herdeiras agora deverão cuidar da partilha da herança. Tarefa que não será nada fácil, já que cada uma das irmãs tem seu estilo, seus desejos, aspirações e - principalmente – suas mágoas há anos entaladas nas gargantas. A disputa pelo apartamento é apenas um pretexto para que tudo isso venha à tona.

    Poucas vezes o termo “tragicomédia” foi tão apropriado para definir um filme com acontece em A Partilha. Alternando cenas de intenso lirismo com momentos do mais puro escracho, A Partilha é um filme agridoce, ao qual se assiste entre risos e lágrimas. Uma mesma cena pode trazer gargalhadas e um pesado nó na garganta. A atuação das quatro atrizes principais – Andréa Beltrão, Lilia Cabral, Glória Pires e Paloma Duarte – é simplesmente irrepreensível e ressaltar uma ou duas delas seria cometer uma grave injustiça: todas as quatro formam um conjunto indivisível, cujo entrosamento é um dos grandes responsáveis pela qualidade do filme.

    A Partilha é um filme sobre aceitar as diferenças, sobre tolerar ou simplesmente sobre a vida. Numa das cenas mais tensas, a personagem de Andréa Beltrão explode em fúria: “Nós estamos apenas vivendo.”
    Diálogos memoráveis, ritmo perfeito, interpretações inesquecíveis e uma eficiente direção fazem de A Partilha um filme obrigatório. Principalmente por quem ainda acredita que o cinema americano é melhor que o brasileiro.

    6 de junho de 2001
    ____________________________________________
    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus