A PRIMEIRA NOITE DE MINHA VIDA

A PRIMEIRA NOITE DE MINHA VIDA

(La Primera Noche de Mi Vida)

1998 , 84 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Miguel Albaladejo

    Equipe técnica

    Roteiro: Elvira Lindo, Luis Miguel Albaladejo

    Produção: Mariel Guiot

    Fotografia: Alfonso Sanz Alduan

    Trilha Sonora: Lucio Godoy

    Elenco

    Ana Lizaran, Carlos Fuentes, Chema de Miguel, Emilio Gutiérrez Caba, Íñigo Garcés, Juanjo Martinez, Leonor Watling, Mariola Fuentes

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Há três anos, a televisão francesa Arte encomendou a cineastas de vários países uma série de filmes sob o tema "O Ano 2000 visto por...". Cada um deles deveria dar a sua visão sobre como poderia ser a passagem de 1999 para o tão aguardado ano 2000. Drama, comédia, ficção... o estilo era livre. Os representantes brasileiros foram Walter Salles e Daniela Thomas, que dirigiram O Primeiro Dia, já exibido em nossos cinemas. O escolhido da Espanha foi o jovem Miguel Albaladejo, com o delicioso A Primeira Noite de Minha Vida, que entra em cartaz nos cinemas do Brasil neste final de semana. É um dos filmes mais otimistas da série.

    A Primeira Noite de Minha Vida entrelaça várias histórias ambientadas em Madri, durante a noite de 31 de dezembro de 1999. Um jovem casal vai passar o reveillon com os pais, mas a camionete deles quebra no meio do caminho, deixando-os a pé. Perto dali, um marginal rouba um luxuoso carro que - coincidência ou não - é de propriedade justamente do pai da garota do casal da camionete quebrada. Que, por sua vez, acaba se encontrando casualmente com a namorada do marginal que, por sua vez... etc. etc. etc.

    O filme é um verdadeiro dominó cinematográfico que brinca com as coincidências humanas. É como se Deus - ou alguma força superior - aproveitasse a magia da noite de reveillon para unir pessoas que jamais se encontrariam em condições normais. Desde uma família de favelados sem luz (nem esperança) em seu barraco, até duas solitárias balconistas de uma loja de conveniência, passando por um rico executivo, um grupo de turistas perdidos e um homem fantasiado de camarão (!).

    O que mais impressiona, porém, é a forma despojada e bem-humorada que Albaladejo conduz todas estas histórias. O filme tem um ritmo envolvente, com personagens bem construídos e um humor sarcástico típico do país de Almodóvar. Não por acaso, ele ganhou dois prêmios importantes no Festival de Mar Del Plata de 1998, além de ter seu diretor indicado como o melhor cineasta estreante no prêmio Goya (o Oscar espanhol) de 99.

    Mesmo não sendo exatamente um filme sobre o Natal, não faltam referências à data. Repare: os três alemães - sendo um deles negro - perdidos na Kombi são guiados por um luminoso até uma casa simples onde acaba de nascer uma criança. Você já não viu esta história antes?


    16 de novembro de 2000
    --------------------------------------------------------
    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus