A PROVA

A PROVA

(Proof)

2005 , 99 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • John Madden

    Equipe técnica

    Roteiro: David Auburn, Rebecca Miller

    Produção: Alison Owen, Jeff Sharp, John Hart, Robert Kessel

    Fotografia: Alwin H. Kuchler

    Trilha Sonora: Stephen Warbeck

    Elenco

    Anne Wittman, Anthony Hopkins, Gary Houston, Gwyneth Paltrow, Hope Davis, Jake Gyllenhaal

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Os momentos iniciais são um primor. Numa noite chuvosa, pai e filha conversam na cozinha. É um bate-papo agridoce, com pitadas de cinismo, no qual a garota lamenta sua própria solidão. Como acaba de passar da meia-noite, estamos nos primeiros minutos do aniversário dela. Entre trovões, ambos compartilham uma garrafa de vinho, comemorando a data com uma boa dose de melancolia. Fala-se de passado, de vida, de loucura. A filha abre o coração e diz ao pai que tem medo de ficar louca. O pai a conforta, dizendo que ela não corre este risco porque o louco nunca admite ser louco. Ela retruca dando início ao diálogo final da cena:

    - Isto não faz sentido.
    - Claro eu faz.
    - Não!
    - Qual é o problema?
    - O problema é que você, pai, é louco.
    - E daí?
    - Você acabou de dizer que o louco nunca admite sua loucura.
    - Ah tá!
    - E então? Você é um louco que admite ser louco?
    - Bom, a questão é, que além de ser louco, eu também estou morto, não é?
    - ...

    Esta é apenas a primeira surpresa do envolvente drama A Prova, filme baseado na premiada peça homônima escrita por David Auburn. Com roteiro do próprio Auburn (estreando no cinema), o filme narra a história de Catherine (Gwyneth Paltrow, que também atuou na montagem londrina do espetáculo), uma jovem e brilhante matemática que deixa sua carreira em segundo plano para cuidar de seu pai (Anthony Hopkins), também um matemático de grande renome, depois que ele mergulha num acelerado processo de insanidade mental.

    O diretor John Madden, o mesmo de Shakespeare Apaixonado, demonstra grande habilidade em contar a história completamente fora da ordem cronológica, alternando talentosamente tempos presentes com flash-backs. E mais: ele ainda tem a saudável ousadia criativa de colocar no mesmo "liqüidificador" momentos reais, imaginados e sonhados. E nem poderia ser diferente. Afinal, trata-se de um filme que questiona os limites da sanidade e da loucura, tendo os mais altos raciocínios matemáticos como pano de fundo. A Prova passa longe da linearidade fácil, exigindo da platéia grandes doses de atenção. E quem se dispuser a entrar no jogo de Madden será amplamente recompensado, pois, além dos diálogos deliciosos e inteligentes, o filme propõe ao público um verdadeiro esconde-esconde entre o palpável e o abstrato. Não por acaso, seu texto original começou a ser escrito tendo como inspiração o matemático John Nash, retratado de maneira biográfica no premiado Uma Mente Brilhante, com Russell Crowe.

    Mas A Prova é muito superior ao filme de Crowe. Além de mais denso e menos refém das fórmulas do "cinemão" comercial, traz uma galeria de quatro personagens muito bem construídos e melhor ainda interpretados. Fora Catherine e seu pai, A Prova apresenta como coadjuvantes de primeiríssimo time as figuras de Claire (Hope Davis, excelente), irmã de Catherine e perua assumida; e Hal (Jake Gyllenhaal, de O Segredo de Brokeback Mountain), um jovem matemático interessado em pesquisar a obra do pai de Catherine. Coincidência ou não, Hal, rapaz de cérebro brilhante, leva o mesmo nome do famoso computador de 2001: Uma Odisséia no Espaço.

    Participante da Mostra Competitiva do Festival de Veneza (não ganhou nada), A Prova é um ótimo exemplo de direção segura, criatividade narrativa e, acima de tudo, de uma história bem contada. Fundamentos básicos dos quais muitas vezes o cinema se esquece.

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