A QUESTÃO HUMANA

A QUESTÃO HUMANA

(La Question humaine/ Heartbeat Detector)

2007 , 143 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 20/06/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Nicolas Klotz

    Equipe técnica

    Roteiro: Elisabeth Perceval, François Emmanuel

    Produção: Michel Zana, Sophie Dulac

    Fotografia: Josée Deshaies

    Trilha Sonora: Syd Matter Musics

    Elenco

    Edith Scob, Jean-Pierre Kalfon, Lou Castel, Mathieu Amalric, Michael Lonsdale, Valérie Dréville

  • Crítica

    20/06/2008 00h00

    Não sou favorável a contar muitas coisas sobre a trama de um filme ao escrever uma crítica. Antes de ser crítico, acima de tudo também sou público e adoro ver um filme sabendo o mínimo possível sobre ele. As surpresas são maiores; a emoção é maior. Porém, no caso de A Questão Humana, serei obrigado a fugir um pouco das minhas próprias regras e revelar alguns segredos do (excelente) roteiro. Se você, assim como eu, também não curte ler textos que tirem o seu prazer de ir ao cinema, minha sugestão é parar por aqui e só retornar a esta crítica após ter visto A Questão Humana.

    Feita a advertência, vamos lá. Tudo começa com Simon (Mathieu Amalric, o astro de O Escafandro e a Borboleta), um psicólogo que atua no departamento de recursos humanos da filial francesa de uma multinacional alemã. Seu trabalho, como ele mesmo define, é fazer com que os funcionários superem seus próprios limites em prol da maior produtividade possível da empresa. Com poucas palavras e muita criação de clima, o diretor Nicolas Klotz pinta a corporação com total frieza. Os ambientes são amplos e áridos. Distantes. A fotografia trabalha com tons de azul e cinza. Todos se vestem impecavelmente de preto. Não se percebe sequer um elemento que sugira vida. Muito menos nos rostos daqueles pálidos funcionários que lá estão para serem forçados até o final de seus limites. Em nome da produção, é claro. Como toda corporação, aliás.

    Certo dia, Simon recebe do vice-presidente da empresa uma missão confidencial: investigar a sanidade mental de Mathias (o ótimo Michael Lonsdale, de Sombras de Goya), ninguém menos que o próprio presidente do escritório francês da multinacional. Haveria indícios que Mathias estaria agindo de forma estranhamente perigosa e até suicida, causando desconforto nos acionistas. Simon começa sua investigação sem saber que vai ser obrigado a se confrontar com vários fantasmas do passado. Tanto aqueles que habitam os nebulosos porões da época do nazismo, como os que moram dentro de seus próprios medos.

    A Questão Humana não é um filme de fácil digestão. A sinopse, abordando investigações e nazismo, pode até sugerir uma aventura policial ou coisa parecida. Mas não é nada disso. Com vários níveis e subníveis possíveis de leitura, trata-se uma obra riquíssima, de texto difícil (baseado no livro de François Emmanuel), mas fascinante, que faz uma irresistível provocação. Para o filme, o nazismo não morreu, ele apenas mudou de forma e modernamente se apresenta sob a formatação de grandes empresas multinacionais. Os novos uniformes dos prisioneiros agora são alinhados ternos pretos. Abrir uma válvula de gás num campo de concentração é trabalho menos elaborado, se comparado com o dos psicólogos que levam os funcionários à loucura. Relatórios técnicos minuciosamente detalhados, que explicavam como transportar o maior número possível de judeus em caminhões, nada ficam a dever à tecnicidade fria dos burocratas de hoje. E se antes se lutava e/ ou morria por uma nação, agora quem exige dedicação total até a morte é a empresa onde se trabalha.

    Uma viagem do filme? Pode até ser. Mas há como negar? Por estas e por (muitas) outras é que A Questão Humana é um filme para se ver, rever e pensar. Pensar muito. O filme exige paciência do público, mas recompensa em dobro quem se dispuser a mergulhar nos seus meandros. Caso contrário, veja O Incrível Hulk.

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