A REDE SOCIAL

A REDE SOCIAL

(The Social Network)

2010 , 117 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 03/12/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • David Fincher

    Equipe técnica

    Roteiro: Aaron Sorkin

    Produção: Ceán Chaffin, Dana Brunetti, Michael De Luca, Scott Rudin

    Fotografia: Jeff Cronenweth

    Trilha Sonora: Atticus Ross, Trent Reznor

    Estúdio: Michael De Luca Productions, Scott Rudin Productions, Trigger Street Productions

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Aaron Sorkin, Abhi Sinha, Alecia Svensen, Alex Leigh, Alex Olijnyk, Alex Reznik, Amy Ferguson, Andrew Garfield, Andrew Thacher, Anh Tuan Nguyen, Armie Hammer, Barry Livingston, Bob Hewitt, Brenda Song, Brett Leigh, Brian Palermo, Bryan Barter, Burke Walton, Caitlin Gerard, Caleb Landry Jones, Cali Fredrichs, Carrie Armstrong, Cayman Grant, Cedric Sanders, Charles Herbert, Cherilyn Wilson, Chris Friend, Chris Gouchoe, Christopher Khai, Courtney Arndt, Dakota Johnson, Dane Nightingale, Darin Cooper, Dave Lambourn, David Selby, Denise Grayson, Douglas Urbanski, Dustin Fitzsimons, Emma Fitzpatrick, Felisha Terrell, Franco Vega, Henry Roosevelt, Inger Tudor, James Dastoli, James Padmore, James Shanklin, Jami Owen, Jared Hillman, Jayk Gallagher, Jeffrey Thomas Border, Jesse Eisenberg, John Getz, John Hayden, John He, Joseph Mazzello, Josh Pence, Justin Timberlake, Kevin Chui, Kyle Fain, Lacey Beeman, Malese Jow, Marcella Lentz-Pope, Mariah Bonner, Mark Saul, Marybeth Massett, Max Minghella, Monique Edwards, Nancy Linari, Nathan Hillyer, Nicholas Tubbs, Nick Smoke, Oliver Muirhead, Pamela Roylance, Patrick Mapel, Peter Holden, Phil Turnham, Randy Evans, Rashida Jones, Ray Poulter, Richard Ferris, Richie Steele, Robert Dastoli, Robin Dowell, Rooney Mara, Scott Lawrence, Scotty Crowe, Sebastian Kouba, Shane Adler, Shelby Young, Simon Barr, Stephen Fuller, Steve Sires, Toby Meuli, Tom Harvey, Trevor Wright, Victor Z. Isaac, Wallace Langham, Zoe De Toledo

  • Crítica

    22/11/2010 17h20

    Senhoras e senhores, David Fincher vos apresenta o Cidadão Kane versão Século 21 - claro, com todas as fraquezas de um filme feito com a linguagem cinematográfica já consolidada. A Rede Social é um misto de cinebiografia de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, e retrato fugaz da geração web 2.0, com várias sobras e influências da obra-prima de Orson Welles.

    Fazendo as devidas observações, Fincher nem de longe filma tão bem quanto Welles ou sequer realizou algo contestador e divisor de águas do cinema como é a produção de 1941. Mesmo assim, é direta a relação entre o empreendedor nerd do online e o magnata do impresso.

    A Rede Social parece ser um filme sobre internet, como ganhar dinheiro, o mundinho codificado de Harvard, a desonestidade humana etc. Não passam de aparências, pois, em sua base, Fincher nada mais fez do que contar a história de um gênio da tecnologia – e inepto para relações presenciais – que só queria ser amado. Uma criança em corpo de adulto que fica chamando a atenção e destruindo os seres humanos ao seu redor. Menino mimado que criou um brinquedinho.

    Essa criatura odiosa construída no filme, Mark Zuckerberg, é o bisneto cinematográfico do não menos odioso Charles Foster Kane: a Rosebud de Kane é o Facebook de Zuckerberg.

    Passando por essa introdução comparativa, A Rede Social não deixa de fazer suas próprias escolhas. A principal delas é a tentativa em unir harmonicamente “o que” se fala com “como” se fala. Um personagem de mente frenética para um filme convulso e delirante. A maneira que essa escolha se manifesta ao longo do filme é o ingrediente mais apreciável do longa.

    No enredo, Zuckerberg levou um fora da namoradinha, ficou bravo e, para descontar sua raiva com o mundo, criou um recurso para comparar a beleza (ou falta dela) dos estudantes de Harvard, o Facemash. Pronto, a rede da universidade travou, o menino foi convidado por dois alunos ricos para criar uma rede social inovadora. Meses depois, o Facebook entrou no mapa e Zuckerberg, além de ganhar o mundo, começou a acumular sua lista de inimigos.

    O que acontece na história do filme ou o panorama dessa geração tecnológica não são grandes novidades: transfere-se o relacionamento social tête-à-tête para a esfera virtual, dilatada, simultânea e, por vezes, vazia. Como ilustra o diálogo, “emular completamente a experiência social da faculdade e colocá-la online”.

    Mas, no filme de David Fincher, o “como” se conta é mais importante do “o que”. Jesse Eisenberg acelera a velocidade de sua fala e reproduz a organização ligeira da mente de seu personagem, Zuckerberg. A organização plano/contraplano usa cortes rápidos para emular a maneira que o personagem enxerga o mundo. A trilha pesada nos introduz aos poucos nas decisões equivocadas do protagonista. Em suma, A Rede Social lança mão do que o cinema possibilita, com destaque para os diálogos ágeis escritos por Aaron Sorkin (Jogos do Poder) e especialmente a montagem de Kirk Baxter e Angus Wall.

    A dupla embaralha a noção de passado, presente e futuro, intercalando a forma de contar: o espectador acompanha uma história que se passou há seis anos. Já para os personagens, o presente é 2004, enquanto o passado é 2003. A montagem faz divertidas brincadeiras em forma de discretos flashbacks.

    Com David Fincher seguro na direção, A Rede Social se vende como um filme que retrata uma geração, mas chega a seus principais momentos quando assume sua tentativa de falar de um gênio odioso. Tanto que a melhor e mais sutil cena é quando Zuckerberg repete, quase que automaticamente, o gesto desastroso de jogar a garrafa de cerveja para uma garota, em vez de levar a bebida até ela.

    Isso é o Mark Zuckerberg do filme: um gênio das máquinas e um ser nojento nas relações humanas.

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