Pôster de A Religiosa

A RELIGIOSA

(La Religieuse)

2013 , 114 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 06/09/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Guillaume Nicloux

    Equipe técnica

    Roteiro: Guillaume Nicloux, Jérôme Beaujour

    Produção: Benoît Quainon

    Fotografia: Yves Cape

    Trilha Sonora: Max Richter

    Estúdio: Les Films du Worso

    Montador: Guy Lecorne, Julie Brenta

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Agathe Bonitzer, Alice de Lencquesaing, Fabrizio Rongione, François Négret, Françoise Lebrun, Gilles Cohen, Isabelle Huppert, Lou Castel, Louise Bourgoin, Marc Barbé, Martina Gedeck, Nicolas Jouhet, Pascal Bongard, Pauline Etienne, Pierre Nisse

  • Crítica

    01/09/2013 20h58

    Esta nova adaptação para cinema do polêmico romance homônimo do escritor francês Denis Diderot, publicado em 1796, não fica atrás da que Jacques Rivette levou às telas em 1966. Ambas contam com impecável reconstituição de época e performances elogiáveis das atrizes principais no papel da jovem obrigada a tornar-se freira contra sua vontade. A diferença é que A Religiosa de Guillaume Nicloux chega aos cinemas sem a aura de controvérsia do longa de Rivette, lançado num tempo em que o assunto ainda incomodava.

    A trama é ambientada no século 17 e sua personagem central chama-se Suzanne Simonin (Pauline Etienne), jovem enviada para um colégio de freiras por causa das dificuldades financeiras da família. Apesar de temente a Deus, descobre não ter vocação e, prestes a ser ordenada, desiste da vida de devoção. Volta para a casa dos pais, mas é pressionada pela mãe a concluir seus votos. Esta a convence depois de revelar um segredo familiar, pecado para o qual busca expiação por meio da filha.

    Pouco tempo depois de retornar ao convento, a bondosa Madame de Moni (Françoise Lebrun), madre superiora que fazia tudo quanto possível para tornar seus dias menos infelizes, morre. É substituída por Irmã Christine (Louise Bourgoin), uma tirana fanática dada a punir suas subalternas com sadismo. A rebelde Suzanne logo entre em confronto com ela, que a trancafia num calabouço a pão e água, acusando-a de estar possuída pelo demônio.

    Daí em diante o filme segue linear, acompanhando as desventuras da pobre jovem de provação a provação, num trabalho elogiável de desenvolvimento de personagem. A atriz Pauline Etienne encaixa-se perfeitamente no perfil de época, ao mesmo tempo em que sustenta uma tenacidade muito avançada para seu tempo, mas que salta de sua personalidade de maneira discreta.

    Quando finalmente escapa das garras da maquiavélica Christine com a ajuda de uma amiga influente, é enviada a um convento cuja atenção e solicitude da superiora (Isabelle Huppert) logo se transformam em investida sexual. A pobre Suzanne vê-se agora entre o assédio cada vez menos contido da religiosa e o ciúme doentio de sua antiga preferida. Sem o aval do vaticano para abandonar o hábito, a única saída que lhe resta é a fuga, que a levará ao prólogo do filme onde aparece aparentemente salva.

    A Religiosa tem produção esmerada e condução equilibrada. Não passa do tom ao mostrar a tortura infringida à protagonista nem generaliza a crítica às engrenagens da máquina religiosa. Apenas destaca que esta é formada – e isso até hoje - de pessoas de vocação inabalável dedicadas ao bem como de outros tantos que se aproveitam do aparato eclesiástico para exercer a opressão ao próximo.

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