A RELIGIOSA PORTUGUESA

A RELIGIOSA PORTUGUESA

(A Religiosa Portuguesa)

2009 , 127 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Eugène Green

    Equipe técnica

    Roteiro: Eugène Green

    Produção: Luís Urbano

    Fotografia: Raphaël O'Byrne

    Elenco

    Adrien Michaux, Aldina Duarte, Ana Moreira, Beatriz Batarda, Carloto Cotta, Diogo Dória, Francisco Mozos, Leonor Baldaque

  • Crítica

    01/11/2009 02h32

    A palavra perfeita para descrever o cinema de Eugène Green é desconcertante. Existem outras: fascínio, enfrentamento, frontalidade, emoção, olhar, música, literatura, magia.

    A Religiosa Portuguesa é seu primeiro filme a chegar ao Brasil. Os festivais internacionais de nossa terra, salvo engano, nunca ousaram trazer seus filmes franceses, igualmente desconcertantes. Nem mesmo Le Pont des Arts, que tem no elenco dois atores mais conhecidos do público brasileiro (ainda que num circuito mais cult): Natacha Régnier e Jérémie Renier.

    A lacuna foi parcialmente solucionada com sua primeira produção portuguesa, que conta com a mesma equipe do brilhante Aquele Querido Mês de Agosto, com o qual compartilha a participação do produtor Luis Urbano e do diretor Miguel Gomes em uma cena numa casa de fados. Nos agradecimentos está que Gomes faltou a uma partida do Benfica para poder estar com a equipe de Green.

    Esse tipo de piada, junto de outras que ocorrem no filme, introduz uma outra palavra: leveza. Os olhares diretos para a câmera se encarregam de não deixar a estranheza dominar, pois estabelecem um contato direto e afetivo com o espectador. Também contribuem para a leveza de algumas cenas, especialmente as que mostram o deslumbramento com a cultura portuguesa, já explicitado na primeira panorâmica da câmera sobre Lisboa.

    Leonor Baldaque, que o cinéfilo mais atento conhece de alguns filmes de Manoel de Oliveira (Espelho Mágico, O Princípio da Incerteza), interpreta uma atriz francesa, cuja mãe é portuguesa, que vai a Lisboa pela primeira vez para participar da produção A Religiosa Portuguesa. Na cidade, encontra pessoas que irão revelar um outro sentido para sua vida: a reencarnação do Rei Sebastião, um suicida em potencial, uma religiosa que passa as noites em uma igreja, um menino de seis anos chamado Vasco. O diretor do filme dentro do filme é interpretado pelo próprio Eugène Green (codinome: Denis Verde), em uma participação que confere certo humor ao filme, especialmente numa cena dentro de uma casa noturna.

    É impossível descrever tudo que acontece com a atriz sem trair o espírito do filme, que se concentra na experiência da descoberta e do encantamento. O possível, o alcançável, é recomendar esta pérola com convicção, pois dificilmente o título de melhor filme contemporâneo da Mostra lhe escapa.

    - Dia 1/11 (domingo), CineBombril Sala 2 – 21h50 (Sessão 1011)
    - Dia 2/11 (segunda-feira), Cinemateca Sala Petrobras, 17h10 (Sessão 1103)
    - Dia 3/11 (terça-feira), Matilha Cultural, 19h20 (Sessão 1254)


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