A SEPARAÇÃO

A SEPARAÇÃO

(Jodaeiye Nader az Simin/ Nader and Simin: A Separation)

2011 , 123 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 20/01/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Asghar Farhadi

    Equipe técnica

    Roteiro: Asghar Farhadi

    Produção: Asghar Farhadi

    Fotografia: Mahmoud Kalari

    Estúdio: Asghar Farhadi

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Ali-Asghar Shahbazi, Babak Karimi, Kimia Hosseini, Leila Hatami, Merila Zarei ED Hayedeh Safiyari, Peyman Moadi, Sareh Bayat, Sarina Farhadi, Shahab Hosseini, Shirin Yazdanbakhsh

  • Crítica

    16/01/2012 21h30

    Não acontece com frequência, mas, de tempos em tempos, o espectador de cinema se depara com filmes que despertam admiração instantânea, aquele tipo de obra que chama a atenção pela condução primorosa e força de seu enredo e personagens. A Separação, escrito e dirigido pelo iraniano Asghar Farhadi, é um desses trabalhos a nivelar por cima. Honesto, transita com habilidade por temas comuns a todos nós como responsabilidade, respeito, honestidade e amor sem, no entanto, se valer de artificialismos. Pelo contrário, impressiona com sua desconcertante simplicidade.

    A maioria dos filmes iranianos que consegue chegar ao Ocidente partilha uma óbvia – e justa - tendência de denúncia a um regime retrógrado e cerceador das liberdades, funcionando na maioria dos casos como gritos de indignação registrados em película. A Separação, no entanto, tem escopo mais amplo, indo além do Irã e sua sociedade reprimida numa exploração bem mais complexa e universal do ser humano como um todo, não apenas como ser social e político.

    O longa de Farhadi é um drama familiar, mas principalmente moral. A história versa sobre maridos e esposas, pais e filhos, justiça e religião no Irã da atualidade, mas seu embasamento está em dualidades básicas e identificáveis por todos nós, independentemente do continente em que se vive. Um filme que nos ajuda a lembrar que povos como iraniano, por mais distantes que possam parecer de nossa realidade, partilham alegrias, tristezas, decepções, esperanças e problemas básicos com a vida como nós.

    A história é contemporânea e ambientada na capital iraniana, onde acompanhamos a complicada separação do casal Nader e Simin. Além da crise afetiva, uma questão se impõe aos dois: Simin deseja sair do país por achar que o lugar não oferece o ambiente ideal para o crescimento da filha, mas Nader não concorda em viajar e deixar o pai com alzheimer sozinho, o que gera a disputa pela guarda da adolescente. Enquanto a Justiça não põe fim ao conflito, Simin vai temporariamente para a casa da mãe, deixando o marido sozinho com a filha e o pai doente.

    Nader, então, contrata a religiosa Razieh para cuidar de seu pai durante as tardes, enquanto trabalha e a filha está na escola. O problema é que Razieh acha errado uma mulher casada como ela trabalhar para um outro homem casado sem a presença da esposa dele. Com o marido desempregado e afundado em dívidas, aceita o emprego a contragosto, mas esconde a verdade do marido. Um acontecimento lamentável, no entanto, gera uma outra briga judicial, desta vez envolvendo Nader, Razieh e seu marido.

    Dono de um domínio impressionante da técnica narrativa, o diretor imprime um ritmo gradual e regular à curva dramática do filme num crescente que culmina em clímax digno de reverência. E você, espectador, estará lá, imerso na trama e tomado por seus personagens.

    Eles tomam forma graças a roteiro redondo e elenco impecável, em que se destaca Peyman Moaadi, intérprete de Nader. Atuando em estado de graça, ele imprime um realismo ao personagem que impressiona. Prova cabal de quanto um ator pode influenciar no todo de um filme. Ao vê-lo cuidando do pai doente, enfrentando os problemas de sua filha adolescente e mergulhado numa disputa judicial complicada, quase se esquece estar diante de um filme de ficção.

    Em A Separação ninguém está certo ou errado. Ninguém é herói ou vilão. Seus personagens são pessoas como nós, vivendo a rotina de seus dias e lutando pelos que amam e aquilo que acreditam. Uma vitória do simples, da grandeza das pequenas coisas da vida, dos pequenos dramas cotidianos muitas vezes difíceis de enxergar. Asghar Farhadi acertou a mão ao não tomar partido de seus personagens, demonstrando apreço por todos eles. Quem sai ganhando é o espectador, que pode desfrutar desde já de um nos melhores filmes do ano.

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