Pôster do filme A Sorte em Suas Mãos

A SORTE EM SUAS MÃOS

(La Suerte en Tus Manos)

2012 , 110 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 23/08/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Daniel Burman

    Equipe técnica

    Roteiro: Daniel Burman, Sergio Dubcovsky

    Produção: Daniel Burman, Diego Dubcovsky

    Fotografia: Daniel Sebastián Ortega

    Trilha Sonora: Nico Cota

    Estúdio: BD Cine, Gullane Filmes, Tornasol Films

    Montador: Luis Barros

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Eugenia Guerty, Fagner Pavan, Fernando Diego Barletta, Gabriel Schultz, Jorge Drexler, Lucciano Pizzicchini, Luis Brandoni, Mucio Manchini, Norma Aleandro, Olivier Ubertalli, Paloma Alvarez, Salo Pasik, Silvana Sosto, Silvina Bosco, Sura Sepulveda, Tomás Sala, Valeria Bertuccelli

  • Crítica

    19/08/2013 20h00

    Esta comédia romântica argentina, dirigida por Daniel Burman (do bom Ninho Vazio), pode causar certa estranheza ao público acostumado aos filmes norte-americanos do gênero. E isso se deve a seu forte senso de realidade e sua aproximação da vida cotidiana e suas imperfeições com a destreza habitual do cinema argentino.

    Se não fisga o espectador pela natureza heroica e romântica de seus personagens, A Sorte em Suas Mãos sustenta seu poder de atração nos defeitos e possíveis falibilidades de caráter de seus personagens. Um risco, em se tratando de comédias românticas, mas que Burman consegue driblar a contento.

    O filme gira em torno de Uriel, homem de meia-idade divorciado, pai de dois filhos, que se deparara com a chance de recuperar um amor perdido na juventude - Gloria, vivida pela atriz Valeria Bertuccelli. Mas nada aqui se assemelha àquelas histórias típicas sobre o inexorável destino que vai unir pessoas que nasceram uma para outra. Nada disso. Uriel é apenas um "pegador" solteirão que não perde a oportunidade de levar uma desavisada para cama.

    Quando encontra Gloria num cassino – ele é viciado em pôquer -, jogar seu charme para cima dela, principalmente quando percebe que a ex está saindo de um relacionamento falido. O pôquer no filme entra como uma metáfora da própria vida de Uriel, que, depois da separação, passou a jogar com as mulheres que cruzam sua vida. Blefa, seduz o oponente, e evita os riscos inerentes ao jogo do amor como quando convence seu médico – urologista que faz as vezes de seu psicólogo - de que precisa fazer uma vasectomia.

    Uriel é interpretado por Jorge Drexler, o ótimo cantor que faturou o primeiro Oscar de Melhor Canção concedido a uma música em espanhol, Al Otro lado del Río, por Diários de Motocicleta. Como ator – essa é sua estreia na telona – deixa a desejar. Não chega a fazer feio, longe disso, mas o papel é um tanto complexo para um iniciante. Em certos momentos, exprime com dificuldade as emoções do personagem, como se estivesse lendo o script para o diretor e perguntando: "É assim mesmo? Tá bom?".

    Passamos, então, a acompanhar o desenvolvimento da relação entre Uriel e Gloria, que parece depender muito mais da sorte e do acaso – como uma partida de carteado – do que dos blefes e estratégias premeditadas dos jogadores.

    Mesmo flertando com a realidade, Burman (também roteirista ao lado de Sergio Dubcovsky) não se arrisca além do necessário. Há sensibilidade, bom humor e um final feliz - antecedido do clima de tensão habitual - no filme. Uma prova de que é possível fazer diferente, mesmo dentro de um gênero de receita pronta.

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