A SUPREMA FELICIDADE

A SUPREMA FELICIDADE

(A Suprema Felicidade)

2010 ,

Gênero: Drama

Estréia: 29/10/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Arnaldo Jabor

    Equipe técnica

    Roteiro: Ananda Rubinstein, Arnaldo Jabor

    Produção: Arnaldo Jabor, Francisco Ramalho Jr.

    Fotografia: Lauro Escorel

    Trilha Sonora: Cristóvão Bastos, Felipe Pinaud

    Estúdio: Ramalho Filmes

    Distribuidora: Paramount Pictures Brasil

    Elenco

    Ary Fontoura, Caio Manhente, Dan Stulbach, Elke Maravilha, Jayme Matarazzo, João Miguel, Marco Nanini, Maria Flor, Maria Luísa Mendonça, Mariana Lima

  • Crítica

    28/10/2010 11h08

    Quase todo mundo conhece o histrionismo de Arnaldo Jabor como comentarista de Rádio e TV. Gestos largos, sobrancelhas erguidas, caras e bocas em profusão, a voz empostada como se estivesse num palanque, e não diante de um microfone. Também muitos conhecem os textos jornalísticos de Jabor, muitas vezes rebuscados, ligando referências nem sempre esclarecidas, cometendo malabarismos estético-verbais. Trata-se de um estilo muito particular, que atrai tanto seguidores como desafetos.

    O grande problema, porém, é quando esta estética, digamos, Jaboriana, que Arnaldo Jabor criou para compor seu personagem midiático chamado Arnaldo Jabor, invade a tela do cinema num filme assinado por... Arnaldo Jabor. Assim é A Suprema Felicidade: todos os seus personagens são Arnaldos Jabores. Falastrões, exagerados, sempre interpretando um tom acima, sempre se portando como se estivessem num palco. Esteticamente o filme também é sempre “um tom acima”: carregado nas cores, nas luzes, na cenografia, no texto. Pode-se até admitir que se trata de uma estilização, que o filme não busca o registro realista. É provável. Provável, compreensível e extremamente cansativo após duas horas de projeção.

    O roteiro, semi-autobiográfico e também assinado por Jabor, não raro se perde em situações isoladas que parecem ter pouca ou nenhuma função dramatúrgica dentro da trama, da mesma forma que acontece com os comentários do jornalista/cineasta. Realizando aqui o seu próprio Amarcord, Jabor se permite digressões e elocubrações pouco consistentes dentro da história, diluindo gradativamente a atenção da plateia. Mesmo porque Jabor não é Fellini.

    A trama é centrada no personagem Paulo (vivido em idades diferentes por Jayme Matarazzo, Michel Joelsas e Caio Manhente), filho de um aviador da FAB (Dan Stulbach) e de uma dona de casa (Mariana Lima) que como tantas outras de sua época abriu mão de seus próprios talentos para se dedicar ao lar. A primeira cena acontece no dia em que termina a 2a. Guerra Mundial, momento em que um letreiro redundante dentro do filme insiste em deixar claro que se trata de 1945. Começamos a partir daí a acompanhar a trajetória de Paulo, então com 8 anos, até o final de sua adolescência. Com direito às lembranças de tipos marcantes que cruzaram seu cotidiano (um divertido vendedor de pipocas, um entristecido comprador de jornais), o primeiro amor, as primeiras incursões sexuais, brigas familiares, esperanças, decepções. Com destaque para o personagem que mais influenciou a formação do menino/rapaz: seu avô Noel (Marco Nanini), trombonista num bordel, homem simples e de bem com a vida, repleto de conselhos para dar.

    Tudo muito bem produzido, com ótima reconstituição de época, mas de narrativa fria e distante, impregnada de um estilo histriônico que afasta quem curte as sutilezas do cinema.

    Pode-se acusar o filme de tudo, menos de não ser autoral: A Suprema Felicidade é a cara de seu diretor.

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