A TETA ASSUSTADA

A TETA ASSUSTADA

(La Teta Asustada)

2009 , 95 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 21/08/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Claudia Llosa

    Equipe técnica

    Roteiro: Claudia Llosa

    Produção: Antonio Chavarrías, Claudia Llosa, José María Morales

    Fotografia: Natasha Braier

    Trilha Sonora: Selma Mutal

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Antolín Prieto, Efraín Solís, Magaly Solier, Marino Ballón, Susi Sánchez

  • Crítica

    20/08/2009 15h53

    “A palavra deste ano é dor” é uma das frases mais importantes de A Festa da Menina Morta. Poderia ter sido dita, sem nenhum risco de deslocamento, em A Teta Assustada, o vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim.

    O filme da peruana Claudia Llosa (Madeinusa) tem um pouco do ritual impresso por Matheus Nachtergaele e um outro tanto do bizarro e alegórico dos filmes da argentina Lucrecia Martel (La Mujer Sin Cabeza). Ainda acrescentaria a presença do tom documental de Fernando Solanas (Memória do Saqueio).

    O que fazer com uma dor que é individual e coletiva, ao mesmo tempo? Como superar uma vida e um país devastado? Nesse mundo de questões, medos e silêncios vive Fausta (Magaly Solier), uma garota que tem a doença da teta asustada.

    Há uma história conhecida entre os povoados indígenas peruanos de que as mulheres estupradas durante os anos 70 e 80 – conhecido como o período do terrorismo, em que guerrilheiros de esquerda se confrontaram com o poder oficial e os militares – transmitiam o medo durante a amamentação. As crianças cresceriam assustadas com tudo, sob ameaça psicológica de estupro.

    Fausta é triste e desprotegida, já que sua mãe acaba de morrer. Terá de enfrentar sozinha seus demônios. A Teta Assustada acompanha sua jornada de dor. Fausta é também a metáfora dos conflitos andinos, entre os índios e os brancos. Um Peru, na visão de Llosa, cuja cultura indígena alimenta o erudito, mas não colhe os frutos por isso.

    É um pequeno filme grande. Um entrelaçar de cenas que parecem triviais, porém carregam muitos sentimentos. Falta de liberdade. O único jeito é cantar uma canção, aquela que só as que tem o mal da teta asustada entendem.

    Logo no início do filme, Perpétua (Bárbara Lazon), a mãe de Fausta, cantarola uma cantiga. “Vocês não sabem o quanto eu sofri”. Ela tem razão, realmente não sabemos. Mas A Teta Assustada estimula um dolorosa sensação de imaginar pelo que ela, e outras centenas de mulheres, passaram. “A palavra deste ano é dor”.

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