A TODO VOLUME

A TODO VOLUME

(It Might Get Loud)

2008 , 100 MIN.

10 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 22/01/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Davis Guggenheim

    Equipe técnica

    Produção: Davis Guggenheim, Lesley Chilcott, Peter Afterman, Thomas Tull

    Fotografia: Erich Roland, Guillermo Navarro

    Estúdio: Thomas Tull Productions

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Jack White e The Edge, Jimmy Page

  • Crítica

    21/01/2010 12h00

    O volume pode aumentar, como indica o título original It Might Get Loud, e é melhor você nem chegar perto do documentário A Todo Volume caso o rock'n roll não esteja na sua lista de ritmos favoritos ou se curiosidade para experimentar novos ritmos não for seu forte.

    É um filme feito para quem gosta de rock e consegue traçar uma linha básica evolutiva do gênero, desde o blues dos anos 20 até as derivações de hoje. Jimmy Page, Jack White e The Edge direcionam o espectador a uma viagem sobre o que é a guitarra e porque ela tem tanta alma.

    Davis Guggeheim, o diretor, teve uma feliz escolha: em vez de colocar músicas em seqüência para massacrar o espectador, ele construiu o filme com muita paciência, por capítulos. A música não é apresentada como algo pronto, dado. Cada guitarrista reduz ao mínimo o seu som para mostrar a essência do que está sendo feito com o instrumento.

    Jack White é o músico que busca alma e o que mais se conecta ao blues, a principal matriz do rock. Camada por camada, fica claro de onde ele tira seus agudos e a levada – sem esquecer, claro, do tributo que ele paga ao punk.

    The Edge é bem mais eletrônico, tecnológico, sempre envolto em uma parafernália ao seu redor. Talvez seja o mais vidrado nas possibilidades que um amplificador traz à guitarra.

    Já Jimmy Page... Bem, é Jimmy Page e não é muito necessário entrar em pormenores.

    Uma das maiores felicidades do diretor foi escolher três guitarristas de gerações e locais diferentes: Page traz a busca por algo dos anos 60 e a bagagem de ter sido músico de estúdio – fato do qual ele não se orgulha. The Edge cresceu na tumultuada Dublin dos anos 70, com os confrontos do IRA. White é filho da Detroit dos anos 80, um dos lugares mais sem graça do universo.

    O caminho que percorremos na trajetória dos três passa por influências, o início, o significado de estar em um palco, os diferentes tipos de guitarra, o nascimento de suas respectivas bandas e a composição das suas principais músicas.

    Como quando The Edge descreve o surgimento de Sunday, Bloody Sunday, essência trazida de sua interpretação dos atentados do IRA. Ou Jimmy Page falando da maneira mais trivial possível de Stairway to Heaven - que ele carinhosamente chama apenas de Staiarway.

    A Todo Volume faz questão de deixar claro todas essas diferenças, logo no começo, quando White constrói uma “guitarra” com um pedaço de madeira, uma garrafa e um arame. “Quem disse que você precisa comprar uma guitarra?”

    Toda estrutura do filme leva a um clímax: a reunião dos três em um galpão para brincar com os instrumentos, experimentar e misturar gêneros. Claro que Guggenheim nos dá, aos poucos, umas pitadas do que está por vir. Mas, sempre com muita calma, sem pisar demais no pedal.

    E esse é um dos principais méritos de A Todo Volume: calma e paciência para aumentar o volume e destilar o rock. Há tempo suficiente para nos aproximemos cada vez da música de cada um deles. Depois, fica a critério do espectador apontar quem é o melhor: Edge, White ou Page?

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