A TROCA

A TROCA

(Changeling)

2008 , 140 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 09/01/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Clint Eastwood

    Equipe técnica

    Roteiro: J. Michael Straczynski

    Produção: Brian Grazer, Robert Lorenz, Ron Howard

    Fotografia: Tom Stern

    Trilha Sonora: Clint Eastwood

    Estúdio: Imagine Entertainment, Malpaso Productions

    Distribuidora: Universal Pictures

    Elenco

    Amy Ryan, Angelina Jolie, Devon Conti, Jason Butler Harner, Jeffrey Donovan, John Malkovich, Michael Kelly

  • Crítica

    09/01/2009 00h00

    Com 30 filmes no currículo de diretor, não há dúvidas de que Clint Eastwood domina, com tranqüilidade, o ofício cinematográfico. Nos últimos 20 anos, raramente dirigiu um longa cujo resultado apresente sérios problemas. Porém, para o padrão Eastwood de qualidade, A Troca está aquém de filmes irretocáveis, como o intrincado Sobre Meninos e Lobos ou o apaixonado Menina de Ouro.

    Ambientado nos anos 20 e baseado em uma história real, não é um filme cujo roteiro guarde alguma surpresa que mude radicalmente o significado da trama. Cada situação agrega ao que já sabemos no início do longa. Christine Collins (Angelina Jolie) trabalha no serviço de telefonia. Após um dia de trabalho, volta a casa e não encontra seu filho. Reporta o desaparecimento ao Departamento de Polícia de Los Angeles. Cinco meses se passam e os policiais dizem ter encontrado seu filho. O garoto que eles apresentam, porém, não guarda semelhança alguma com o menino de Christine. Diante da situação, ela decide lutar para provar manipulação da polícia.

    O desenvolvimento do drama dessa mãe é a espinha dorsal de A Troca. O roteiro de J. Michael Straczynski (criador da série sci-fi Babylon) expõe os conflitos atravessados por Christine e leva o espectador a questionar se tais absurdos aconteceram, de fato. O rol de situações bizarras começa pela troca das crianças, orquestrada por uma polícia que buscava limpar sua imagem de corrupta e ineficiente e aceita por uma imprensa fraca. Com a relutância da mãe em engolir a tramóia, os policiais contratam especialistas para atestar que o garoto é seu filho, acusam Christine de desequilibrada e inapta a reconhecer a quem deu à luz e chegam até mesmo a prendê-la em um hospital psiquiátrico.

    A opção de Eastwood e Straczynski em mostrar, uma a uma, as situações as quais Christine foi submetida intensifica a crítica na polícia e, para o espectador, reitera o questionamento frente ao absurdo. Se Christine tinha a força, e a dor, para lutar, a participação do reverendo Gustav Briegleb (John Malkovich) lhe deu contatos políticos e peso com a imprensa. A cada apuro que a mãe passou, Briegleb fez-se presente para que ela mantivesse a determinação.

    Da corrupção da polícia a outras mães cujos filhos também desapareceram, o que importa, de fato, é o drama de Christine Collins. Todas as situações, de maneira direta ou indireta, afetam a moça no filme. É do drama dela que o espectador é convidado a se aproximar. O que justifica perfeitamente a comparação que Eastwood fez de Angelina Jolie com divas do cinema dos anos 40.

    Com o olhar lânguido de Ingrid Bergman e a firmeza de Katharine Hepburn, Angelina aproveita o espaço dado a sua personagem e nos presenteia com uma interpretação de alto nível. Um rosto que transcende a beleza ao dar significado dramático a Christine Collins. Um trabalho digno de uma indicação ao Oscar.

    Sua interpretação é auxiliada pela iluminação do filme, com cenários que fazem uso do excesso ou da falta de luz. Nos momentos em que Christine é varrida de solidão, eles adquirem ares sombrios. Até mesmo os olhos da moça são cobertos pela sombra de seu chapéu. Há de se ressaltar também o eficiente trabalho da direção de arte, que reconstituiu a Los Angeles dos anos 20.

    Todos esses elementos, aliados à história, teriam de compor um conjunto hábil a manter os olhos atentos nos 140 minutos de filme. Porém, o roteiro carece de pontos de virada que mantenham a história quente, transpirando, com mistério. Exatamente esse detalhe enfraquece a vivacidade do filme.

    À moda de uma cinebiografia tradicional, Eastwood sobrevoa a vida de Christina e sua luta por justiça. Talvez a própria natureza da história não permita grandes mistérios ou viradas. Porém, como drama, talvez alguns altos e baixos deixassem o filme menos linear. Para um diretor do quilate de Eastwood, algo como as pequenas tensões do velho Kowalski em Gran Torino dessem mais vida para A Troca.

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