A ÚLTIMA AMANTE

A ÚLTIMA AMANTE

(Une Vieille Maîtresse)

2007 , 114 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 27/06/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Catherine Breillat

    Equipe técnica

    Roteiro: Catherine Breillat

    Produção: Jean-Francois Lepetit

    Fotografia: Giorgos Arvanitis

    Estúdio: Flach Film

    Elenco

    Asia Argento, Claude Sarraute, Fu'ad Ait Aattou, Michael Lonsdale, Roxane Mesquida, Yolande Moreau

  • Crítica

    27/06/2008 00h00

    O aguardado casamento entre o bon vivant Ryno de Marigny (Fu'ad Ait Aattou) com a aristocrata e frágil Hermangarde (Roxane Mesquida) traz consigo uma dúvida: conseguirá o jovem romper com a amante Vellini (Asia Argento), uma cortesã conhecida por não deixar os homens em paz?

    Catherine Breillat é uma diretora chegada num escândalo. Já com seu primeiro filme, Uma Adolescente de Verdade, de 1976 (mas que entrou em circuito brasileiro somente nos anos 2000), ela chocava platéias do circuito de arte com cenas de sexo explícito envolvendo a adolescente rebelde do título. Com Romance, de 1996, voltou a escandalizar mostrando o pênis ereto de Rocco Sifredi, famoso ator pornô italiano, e algumas cenas quentes de sexo, envolvendo o garanhão e uma protagonista tagarela. Em Para Minha Irmã (2001), o último filme da diretora a entrar em circuito comercial no Brasil, o choque já não estava no sexo, mas num rompante violento que mudava o curso das coisas. Durante o hiato, o cinema de Breillat compareceu em festivais brasileiros com Breve Travessia, seu único grande filme - infelizmente ainda inédito no circuito ou em DVD - e Anatomia do Inferno, no qual voltou a usar Rocco Sifredi para provocar o choque e foi mais feliz que em Romance, escandalizando um público pouco acostumado às suas relações entre sexo e poder.

    Ela agora está de volta ao circuito nacional com um filme de época, A Última Amante, e conta com a sensualidade de Asia Argento como principal chamariz. Como a diretora se sai dirigindo uma trama passada na França do século 19? Apagando as tatuagens da atriz digitalmente. Um efeito tosco, dá para dizer, já que quem conhece as tatuagens pode perceber algum sinal delas em seu corpo. É pouco, convenhamos, para uma cineasta disposta a chacoalhar o espectador pelo incômodo. Quem esperava mais efeitos chocantes tem de se contentar com cenas pudicas de sexo, que hoje em dia até a novela das oito (ou melhor, das nove) ameaça ultrapassar em ousadia.

    Mas estaria só na possibilidade do choque o interesse despertado pelo cinema da diretora? Até que ponto sua carreira seria dependente de suas agressões ao bom gosto? O que aparenta é que Breillat se intimidou com os figurinos e preferiu recolher o pito, temerosa de mexer em vespeiro com material alheio - A Última Amante é uma adaptação do romance de Jules-Amédée Barbey d'Aurevilly, escrito em 1851, e Breillat está mais acostumada a dirigir histórias criadas por ela mesma.

    Muitos diretores ousaram desafiar regras em filmes históricos. O aristocrata Luchino Visconti (Morte em Veneza), por exemplo, mostra penicos usados e nobres suando horrores em seu majestoso O Leopardo - algo pouco comum até hoje. Mais recentemente, Sofia Coppola recheou seu Maria Antonieta de canções new wave e pós-punk, com um efeito bem curioso. Catherine Breillat, logo ela, parece sucumbir ao peso da produção e realiza um correto - não mais que isso - romance de época, com fotografia mais cuidada que o habitual e um cuidado iconográfico especial. Para uma autora sempre ousada e intrigante como Breillat, ser correto é a pior coisa que se pode dizer sobre seu filme. E a ironia maior é que muita gente que torcia o nariz pode se encantar com as pompas, mas estará comprando uma falsa idéia do que é o seu cinema.

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