A ÚLTIMA NOITE (2002)

A ÚLTIMA NOITE (2002)

(25th Hour)

2002 , 134 MIN.

Gênero: Suspense

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Spike Lee

    Equipe técnica

    Roteiro: David Benioff

    Produção: Jon Kilik, Julia Chasman, Spike Lee, Tobey Maguire

    Fotografia: Rodrigo Prieto

    Trilha Sonora: Terence Blanchard

    Estúdio: Walt Disney Pictures

    Elenco

    Anna Paquin, Barry Pepper, Brian Cox, Edward Norton, Levani Outchaneichvili, Philip Seymour Hoffman, Rosario Dawson, Tony Devon, Tony Siragusa

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Sim, Spike Lee também sabe fazer filmes onde o racismo não é o tema principal. E muito bem. Prova disso é o emocionante A Última Noite, dirigido e produzido pelo famoso cineasta de Faça a Coisa Certa, com roteiro assinado por David Benioff, um estreante no cinema.

    A seqüência dos créditos iniciais já dá o tom da narrativa: em belas imagens noturnas, vê-se uma Nova York transfigurada pelos atentados de 11 de setembro, com gigantescos fachos de luz azul substituindo as torres do World Trade Center. O clima é de profundo luto e pesar. É dessa atmosfera que emerge a história de Monty (Edward Norton, sempre convincente), um jovem que amarga a proximidade de seu triste destino. Habilmente, o roteiro só revela aos poucos os motivos de sua melancolia. Gradativamente, outros ótimos personagens (vividos por excelentes atores) vão se incorporando à trama: os amigos Jacob e Francis (respectivamente Philip Seymour Hoffman, de Magnólia, e Barry Pepper, de Fomos Heróis), a bela namorada Naturelle (Rosario Dawson de Homens de Preto 2) e o amargurado pai James (o veterano Brian Cox). A idéia é fazer uma festa para a "despedida" de Monty.

    A Última Noite é um belo filme sobre as várias possibilidades que se descortinam diante das vidas de todos e de como o destino (ou o livre arbítrio, o acaso, ou seja lá que nome tenha) conspira para a execução - ou não - dos mais impensáveis planos. É um filme sobre o "quase". Monty quase se dá bem na vida: ele errou por apenas seis meses. Seu amigo Francis mora a apenas um quarteirão do que antigamente era o World Trade Center. Da janela de sua sala ele avista o enorme e melancólico buraco deixado pelo atentado. Quase! Jacob quase comete um delito contra uma menor. Salvou-o seu profundo senso de responsabilidade. E é nesta toada que A Última Noite segue até o seu desfecho enigmático que - assim como a vida - deixa algumas opções em aberto. Uma vida que "esteve muito perto de não acontecer", conforme repete o personagem de Brian Cox.

    Na verdade, tudo o que acontece esteve sempre muito perto de não acontecer, e é sobre esta incapacidade de comandar nosso próprio destino que se apóia o ótimo roteiro do filme. Um roteiro que traz uma cena antológica: uma contundente declaração de ódio a Nova York feita pela imagem de Edward Norton refletida num espelho.

    Com pleno domínio de câmera, Spike Lee dá um show de linguagem cinematográfica. Hora opta por picotar uma cena nos mais variados planos possíveis, decupando-os freneticamente. Hora opta por mantê-los em tomada única, abrindo espaço total para o talento de longas interpretações sem cortes. Tudo isso regado a uma solene trilha sonora assinada pelo jazzista Terence Blanchard, habitual colaborador de Lee.

    Apesar do belíssimo trabalho, Spike Lee continua sendo pé frio nas bilheterias norte-americanas. Nos EUA, o filme faturou pouco mais de US$ 13 milhões, dois milhões a menos que seu custo.

    E uma curiosidade final: na cena da briga, Barry Peeper quebrou de verdade o nariz de Edward Norton.

    21 de maio de 2003
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. [email protected]

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