ADEUS, LAR DOCE LAR

ADEUS, LAR DOCE LAR

(Adieu, Plancher des Vaches)

1999 , 118 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Otar Iosseliani

    Equipe técnica

    Roteiro: Otar Iosseliani

    Produção: Martine Marignac

    Fotografia: William Lubtchansky

    Trilha Sonora: Nicolas Zourabichvili

    Elenco

    Lili Lavina, Mirabelle Kirkland, Nico Tarielashvili, Philippe Bas, Stephanie Hainque

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Mesmo morando numa mansão luxuosa, e sendo filho de pais milionários, um jovem francês (Nico Tarielashvili) prefere passar seu tempo à beira da marginalidade. Sem que ninguém saiba, todos os dias ele sai de casa, troca seu terno caro por jeans surrados, e anonimamente faz bicos como lavador de pratos ou de janelas. Seus amigos também vivem pelas ruas de Paris, e a sua paixão é uma simples garçonete.

    Porém, Adeus, Lar Doce Lar é um filme que prende a atenção muito mais pela forma através da qual ele conta a história, do que propriamente pela história a ser contada. Um típico caso onde a forma é mais interessante que o conteúdo. O diretor e roteirista Otar Iosseliani (nascido na Geórgia, ex-república soviética, e exilado na França) costura as diversas situações que o filme apresenta com maestria cinematográfica: poucas palavras, imagens fluidas, personagens que se entrelaçam lenta e delicadamente.

    São personagens sem nome que, aliás, formam uma interessante galeria parisiense: um jovem que vive de esmolas precisa de bons textos para seus cartazes de pedinte. Um casal proprietário de uma suspeita loja de antiguidades chega a medidas mais do que extremas para resolver suas diferenças. Numa mesma sala, um veterinário cuida de cabras e um garoto aprende violino. Perto dali, um empregado trapalhão vive derrubando o escritório do seu patrão.

    Tentar esmiuçar o significado de cada uma destas situações seria brincar de “Cahiers Du Cinema”. O que certamente não vem ao caso. Obviamente sempre é possível especular, por exemplo, que a atitude do rapaz propõe a troca da hipocrisia da família burguesa pela realidade crua das ruas. Ou que o diretor opta por abafar a maioria das cenas de brigas e discussões por trás de vidros e janelas para ressaltar a indiferença que o personagem principal desenvolveu em relação aos conflitos que não são de seu interesse. Até uma pitada de racismo pode ser percebida. São leituras válidas, ótimas para serem discutidas na mesa de um bar, após a sessão. Mas sem dúvida o mais interessante de Adeus, Lar Doce Lar é se deixar levar pela melodiosa narrativa do veterano Iosseliani (que também atua no filme, no papel do pai do garoto), que em determinadas cenas chega a lembrar o inesquecível estilo de Jacques Tati.

    Sentir Adeus, Lar Doce Lar é mais gratificante que tentar desvendá-lo.
    O filme ganhou o prêmio da crítica no European Film Awards do ano passado.


    06 de dezembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

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