ADEUS, PRIMEIRO AMOR

ADEUS, PRIMEIRO AMOR

(Un Amour de Jeunesse)

2011 , 110 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 16/12/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Mia Hansen-Løve

    Equipe técnica

    Roteiro: Mia Hansen-Løve

    Produção: David Thion, Philippe Martin

    Fotografia: Stéphane Fontaine

    Estúdio: Les Films Pelléas

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Alexandre Naeder, Amélie Robin, Anne Agbadou-Masson, Anne-Sophie de Sèze, Antoine Campo, Arnaud Azoulay, Arno Feffer, Aude Paristet, Aurore Montaut, Bruno Mary, Camille Lauras, Charlotte Faivre, Christine Tuillier, Clara Boucheny, Elisabeth Guill, Elsa Nougues, Eric Fraticelli, François Buot, François Ricrot, Frédéric Liévain, Gabriel Coin, Germain Bouvet, Grégoire Strecker, Guy-Patrick Sainderichin, Héloïse Paliwoda, Jean-Paul Dubois, Jules Messaud, Justine Dhouilly, Loic Haetty, Lola Créton, Louis Dunbar, Louison Hacquin, Ludovic Legrand, Magne-Håvard Brekke, Marc Pierret, Margot Point, Marie-Hélène Peyrat, Marina Della Paolera, Martin Lepoutre, Matisse Bélusa, Max Ricat, Nicolas Syk, Olivier Yglesias, Özay Fecht, Patrice Movermann, Pauline Lorillard, Philippe Paimblanc, Raphaël Kadid, Salina Chen, Sebastian Urzendowsky, Sébastien Besse, Serge Renko, Sullivan Caristan, Valérie Bonneton, Yuanchen Zhang

  • Crítica

    15/12/2011 10h00

    O cinema que nos leva a lugares distantes e realidades alheias, também promove viagens interiores gratificantes. Adeus, Primeiro Amor, escrito de dirigido com sensibilidade por Mia Hansen-Løve (O Pai de Meus Filhos), estabelece com êxito um diálogo íntimo com o espectador ao narrar a história de Camille (a promissora atriz Lola Créton), jovem parisiense vivendo seu primeiro e, por isso mesmo, arrebatador amor.

    Contra sua vontade, ela e seu namorado, Sullivan (Sebastian Urzendowsky), se separam quando ele decide passar um ano viajando pela América do Sul. Com apenas 15 anos, a adolescente sobrevive das cartas que recebe do amado, até que elas cessam, causando em Camille um sofrimento atroz, desesperador, que os adultos, calejados sentimentalmente, sabem exagerado, mas que num período da vida em que tudo ganha tintas fortes aos nossos olhos, tem ares de tragédia.

    Um dos pontos fortes do filme Mia Hansen-Love é contar essa história de forma realista, autêntica, escapando inteligentemente dos clichês (o que, convenhamos, não é fácil num filme centrado no amor romântico). A trama também é habilmente pontuada de elementos sutis e imagens capazes de buscar na memória sentimental de cada espectador um ponto de identificação, consciente ou inconsciente, com o que se vê na tela.

    Quatro anos depois do infortúnio amoroso, Camille se torna uma estudante de arquitetura dedicada não só aos estudos, mas também a um novo amor, o famoso arquiteto e mentor Lorenz (Magne-Håvard Brekke). Um segundo amor tão real e forte como o primeiro, mas tão diferente deste que não impede que Camille esqueça seus sentimentos pelo jovem Sullivan, que, inevitavelmente, volta a cruzar seu caminho.

    Em tempos de politicamente correto, em que seria mais “adequado” mostrar a protagonista se afirmando como mulher independente, Mia Hansen-Løve tem a coragem de apresentar uma mulher que evolui, sim, mas que parece sempre sujeita aos caprichos do amor. A sua identidade é sempre consequência da sua submissão aos sentimentos. E, afinal, não é assim com muitas mulheres?

    A formação em arquitetura, a obra de que se encarrega e o casamento que está em marcha, nenhum desses elementos, que poderiam servir para promover uma espécie de reviravolta feminista na trama, são usados pela autora com esse propósito. Camille evolui, amadurece, mas continua a ser uma mulher que acredita no amor, que se entrega a ele, sem defesas.

    Como ponto negativo, o longa comete o excesso de se enveredar em demasia pelo discurso da beleza arquitetônica e seus simbolismos estéticos, o que não tem analogia aparente com a personalidade da protagonista ou progresso narrativo que ela enfrenta. Uma extensão da construção visual do filme que soa supérfluo e o estende demais.

    O deslize narrativo, no entanto, não tira de Adeus, Primeiro Amor o mérito de ser um filme sobre o amor na juventude de rara inteligência.

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