ÁGUA NEGRA

ÁGUA NEGRA

(Dark Water)

2005 ,

Gênero: Terror

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Walter Salles

    Equipe técnica

    Roteiro: Rafael Yglesias

    Produção: Bill Mechanic, Doug Davison, Roy Lee

    Fotografia: Affonso Beato

    Trilha Sonora: Angelo Badalamenti

    Elenco

    Ariel Gade, Camryn Manheim, Dougray Scott, Jennifer Connelly, John C. Reilly, Perla Haney-Jardine, Pete Postlethwaite, Shelley Duvall, Tim Roth

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Antes de tudo, é bom deixar claro que Água Negra não é um filme de terror. Tem alguns toques de suspense, mas o drama prevalece. Por isso, não chegue à sala de cinema achando que vai levar sustos fortes ou ver tensão na tela, para não se decepcionar.

    Dessa forma, esta refilmagem de um filme japonês (o que já está se tornando clichê em se tratando de Hollywood) diferencia-se das outras, como O Chamado e O Grito. Água Negra é baseado em Dark Water (2002), filme dirigido por Hideo Nakata (criador da franquia de terror Ringu, que deu origem a O Chamado). O próprio filme original já foge um pouco do terror e, com a mão de Salles, o drama continua. Muito bem, por sinal.

    O filme conta a história de Dhalia (Jennifer Connelly). Mãe de Ceci (Ariel Gade), ela acaba de se divorciar e está no meio de um complicado processo judicial na disputa pela guarda da filha. Ao mesmo tempo, deve lidar com os problemas que teve no passado com a mãe alcoólatra. A perspectiva de um novo apartamento parece renovar as esperanças tanto de Dhalia quanto de Ceci. Mas o orçamento curto só permite adquirir um imóvel longe do centro da cidade de Nova York, onde vivem. Elas alugam um apartamento num prédio velho, cheio de infiltrações. Logo os problemas estruturais chegam no apartamento de Dhalia, quando uma enorme infiltração invade o teto de seu quarto. Os apelos ao mal-humorado síndico Veeck (Pete Postlethwaite) não adiantam. Nem mesmo a intervenção do agente imobiliário que alugou o apartamento, Murray (John C. Reilly), é capaz de deter a infiltração.

    Investigando as origens da goteira, ela descobre que o apartamento sobre o seu, aparentemente vazio, está alagado porque alguém deixou as torneiras abertas. Misteriosamente, ele nunca seca, mesmo quando Dhalia as fecha. Enquanto isso, Ceci começa a falar sobre uma amiga imaginária, mas sua mãe não dá muita bola, somente quando a filha começa a agir de forma estranha e violenta.

    Enquanto Dhalia tenta descobrir de onde vem tanta água, somos envolvidos em uma trama sobrenatural. Para quem já viu a versão original, vale lembrar que algumas partes da trama foram modificadas (especialmente em relação ao final) para melhor. Assim como o Dark Water de Nakata, não é uma produção sobre fantasmas, mas sim sobre a maternidade e o abandono. O banho de sangue dos tradicionais filmes de terror dá lugar à água negra, que jorra e escorre pelas paredes do apartamento. Salles transforma Nova York em Londres com a chuva que nunca pára de cair.

    Este é o primeiro filme de produção norte-americana dirigido pelo brasileiro Walter Salles. E todos sabem que poucos cineastas dirigindo nos EUA têm controle de sua própria obra, que acaba ficando na mão dos produtores. Portanto, não é de se estranhar a ausência das marcas do cinema de Salles em Água Negra. Nem mesmo as reclamações do diretor sobre o resultado final, como se tem lido por aí. Mesmo assim, Água Negra tem uma direção competente, assim como a bela fotografia, dirigida por Afonso Beato. O filme também é apoiado no talento incontestável dos atores. Dessa forma, por mais que o filme não cumpra as expectativas - como um suspense e como um filme de Walter Salles -, não deixa de ser acima da média.

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