AINDA ORANGOTANGOS

AINDA ORANGOTANGOS

(Ainda Orangotangos)

2007 , 81 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 29/08/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gustavo Spolidoro

    Equipe técnica

    Roteiro: Gibran Dipp, Gustavo Spolidoro

    Produção: Cristiane Oliveira, Fabiano de Souza, Gilson Vargas, Gustavo Spolidoro, Milton do Prado

    Fotografia: Juliano Lopes

    Estúdio: Clube Silêncio

    Elenco

    Arlete Cunha, Artur José Pinto, Janaína Kremer, Karina Kazuê, Kayodê Silva, Letícia Bertagna, Lindon Satoru Shimizu, Nilsson Asp, Renata de Lélis

  • Crítica

    29/08/2008 00h00

    O cineasta gaúcho Gustavo Spolidoro é conhecido graças aos 14 curtas-metragens que compõem seu currículo. Sua estréia na direção de um longa-metragem ocorre em Ainda Orangotangos, no qual desenvolve uma ousada proposta: realizar o primeiro longa filmado em um único plano-seqüência do Brasil. Aqui, ele retoma a Os Outros (2000) - curta de Spolidoro premiado no Brasil e no exterior - com personagens e atores que voltam ao seu universo cinematográfico.

    Adaptação de seis contos do livro homônimo do escritor gaúcho Paulo Scott, Ainda Orangotangos mostra num único plano-sequência de 81 minutos 14 horas de um dia quente de verão, quando quinze personagens transitam pelas ruas e prédios de Porto Alegre.

    Ao longo de uma semana de filmagens, o longa mobilizou cerca de 180 pessoas, espalhadas por um perímetro de 15 km na região central de Porto Alegre. A bela orquestração dessa equipe toda é conduzida de uma forma firme pelo diretor; por isso, o resultado inovador, criativo e bem-resolvido que temos na tela. Pela bela realização dessa proposta tão ousada, Ainda Orangotangos tem identidade única. Com personagens e situações que só poderiam ter saído mesmo da literatura - muitas delas beirando o bizarro -, o longa carrega consigo um frescor único e bem-vindo pelo cinema nacional. A câmera passeia de uma forma fluida entre os personagens que se revezam na tela, ao mesmo tempo em que o longa é capaz de transitar com a mesma fluidez pelo drama, a comédia e o suspense, sem perder a força em nenhum dos gêneros nos quais passeia.

    Para os gaúchos, sempre é válido reconhecer na tela não somente o sotaque, mas também as locações nas quais o longa foi rodado, como a estação Trensurb, o Mercado Público e o Parque da Redenção. E, de fato, Ainda Orangotangos é um longa bem gaúcho, não somente pelos temas e locações, mas também pela excelente trilha sonora, composta por canções de rock-and-roll de bandas do Rio Grande do Sul. Mas, mesmo conservando esse "gauchismo", ainda é capaz de conquistar platéias universais pela forma sedutora como as tramas - que ocorrem paralelamente, vez ou outra se encontrando - são apresentadas na tela.

    É um filme jovem, feito por uma nova geração de cineastas brasileiros, que tem tudo para atrair o público jovem e, definitivamente, é esse o tipo de produção que falta ao cinema brasileiro. Se depender de Ainda Orangotangos, essa turma ainda tem um bocado a dizer. Cabe aos espectadores prestarem atenção desde já.

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