ALÉM DA LIBERDADE

ALÉM DA LIBERDADE

(The Lady)

2011 , 132 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 27/07/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Luc Besson

    Equipe técnica

    Roteiro: Rebecca Frayn

    Produção: Andy Harries, Jean Todt, Luc Besson, Virginie Silla

    Fotografia: Thierry Arbogast

    Trilha Sonora: Eric Serra

    Estúdio: Canal+, Europa Corp, France 2 Cinéma, France Télévision, Left Bank Pictures

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Agga Poechit, Antony Hickling, Benedict Wong, Danny Toeng, David Thewlis, Dujdao Vadhanapakorn, Flint Bangkok, Frank Walmsley, Guy Barwell, Jonathan Raggett, Jonathan Woodhouse, Marian Yu, Michelle Yeoh, Nay Myo Thant, Sahajak Boonthanakit, Susan Wooldridge, Teerawat Mulvilai, Victoria Sanvalli, William Hope

  • Crítica

    22/07/2012 15h00

    Humanizar grandes personalidades da política mundial nas telas nem sempre é tarefa fácil. Ao contar suas trajetórias, costuma-se priorizar feitos e esquecer-se da pessoa. Fortalece-se o mito e distancia-se do ser humano. Além da Liberdade vai na contramão: dá atenção especial à vida familiar de Aung San Suu Kyi, líder do lento processo de redemocratização da Birmânia, hoje Myanmar, que foi perseguida de forma insidiosa ao longo de 23 anos por uma ditadura militar.

    A atriz malaia Michelle Yeoh (O Tigre e o Dragão) é quem interpreta a filha de um mártir birmanês que enche a nação de esperança ao retornar ao país. Uma pena que Luc Besson (O Quinto Elemento), mais acostumado a filmes de ação, não tenha tido a sutileza necessária para conduzir esse drama como ele merecia. O roteiro tampouco ajuda. Tudo no filme é óbvio demais, maniqueísta demais, o que não contribui muito para um melhor entendimento do que se passou no país asiático nas últimas décadas.

    O longa começa com um breve preâmbulo que mostra Suu Kyi ainda menina, quando seu pai, que prentendia instituir uma democracia no país, é covardemente assassinado. O filme dá um salto no tempo a encontramos na Inglaterra, já casada, e levando uma típica vida de classe média. Em 1988, ela volta à sua terra natal para cuidar da mãe doente num período em que a Birmânia vive uma onda de protestos contra o regime militar, que sufoca o movimento de forma violenta.

    Os intelectuais locais veem nela uma liderança capaz de motivar a população a resistir, alguém com força política suficiente para confrontar os militares. Desgostosa com a situação vivida em seu país, e imbuída de força pelo sacrifico do pai décadas atrás, Suu Kyi resolve ficar, provavelmente ignorando o custo pessoal da decisão.

    Ela fica sob prisão domiciliar por quase 15 dos 23 anos - entre julho de 1989 até sua libertação em novembro de 2010. Neste período, pôde ver o filho e o marido poucas vezes. O clímax desse distanciamento se dá quando tem de decidir voar para a Inglaterra e ficar com o marido em seu leito de morte – o que significa não poder mais voltar à Birmânia - ou continuar a lutar por aquilo que ela acredita.

    O panorama político no qual se desenrola a história é descrito de maneira ingênua pelo roteiro de Rebecca Frayn, numa visão rasa dos personagens envolvidos nas disputas políticas do país. De um lado temos idealistas folhetinescos sonhando com uma democracia e, do outro, um ditador cruel e supersticioso que toma decisões baseado em numerologia.

    Como Suu Kyi, Michelle Yeoh tem a determinação tranquila da líder birmanesa e tenta em vão trazer tons humanos para um papel monolítico, assim como seu marido, de devoção a paciência inabaláveis, vivido por David Thewlis (Cavalo de Guerra). Dois bons atores tendo de lidar com personagens mal construídos.

    Mesmo com 2h25 de duração, o longa parece pressuroso demais e não consegue dar a dimensão e profundidade que uma história como a de Suu Kyi merecia. O filme, no entanto, é um esforço bem intencionado de dar mais atenção à luta permanente pelos direitos humanos na Birmânia. E, mesmo com suas falhas, leva o espectador a refletir sobre os limites do ser humano em busca de um ideal.

    Em tempo: no dia 16 de junho de 2012, a líder opositora birmanesa recebeu em Oslo o Prêmio Nobel da Paz, 21 anos depois que lhe foi outorgado em 1991. Na época, seu marido e filhos a representaram enquanto era mantida presa pelo governo de seu país.


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