Pôster do filme Alita - Anjo de Combate

ALITA: ANJO DE COMBATE

(Battle Angel Alita)

2018 , 122 MIN.

14 anos

Gênero: Ficção Científica

Estréia: 14/02/2019

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  • Onde assistir

    Programação

  • Ficha técnica

    Direção

    • Robert Rodriguez

    Equipe técnica

    Roteiro: James Cameron, Laeta Kalogridis, Robert Rodriguez

    Produção: James Cameron, Jon Landau

    Fotografia: Bill Pope

    Trilha Sonora: Junkie XL

    Estúdio: 20th Century Fox Home Entertainment, Lightstorm Entertainment

    Montador: Stephen E. Rivkin

    Distribuidora: 20th Century Fox Home Entertainment

    Elenco

    Casper Van Dien, Christoph Waltz, Derek Mears, Ed Skrein, Eiza González, Elle LaMont, Idara Victor, Jackie Earle Haley, Jeff Fahey, Jennifer Connelly, Jorge A. Jimenez, Jorge Lendeborg Jr., Keean Johnson, Lana Condor, Leonard Wu, Mahershala Ali, Marko Zaror, Michelle Rodriguez, Rosa Salazar, Sam Medina

  • Crítica

    13/02/2019 17h07

    Por Daniel Reininger

    Há mais de uma década, James Cameron fala sobre produzir um filme de Battle Angel Alita, mangá conhecido no Brasil como Gunnm. Quando ele decidiu se dedicar a Avatar e suas sequências, passou o amado projeto a Robert Rodriguez, diretor de Planeta Terror. Nas mãos do norte-americano, o longa chega até nós como um espetáculo visual, mas incapaz de alcançar a inteligência e as questões filosóficas do material de origem.

    Como fã do mangá, posso dizer que o filme causa um estranho paradoxo. É ótimo ver Alita e seu mundo ganhar vida em um longa de ação com qualidade técnica indiscutível, porém, é incômodo ver algumas decisões deixarem de lado as questões cruciais da trama, fazendo com que ela se atropele a fim de resolver arcos de quatro volumes do mangá em apenas um filme de 122 minutos.

    A icônica obra de Yukito Kishiro conta a história de uma ciborgue adolescente encontrada em um ferro velho de um futuro distante. A menina possui uma tecnologia perdida há séculos e ela passa a buscar a verdade sobre sua identidade, mas enfrenta provações cada vez maiores.

    É uma incrível obra de ficção, adaptada por um especialista em sci-fi (Cameron), dirigida por um ás da ação (Rodriguez), estrelada pela simpática Rosa Salazar (Bird Box) como Alita e pelo ótimo Christoph Waltz (Django Livre), no papel de Ido, o especialista em cibernética que repara a garota e torna-se seu pai adotivo. Se não está claro, é um filme com um potencial absurdo para se tornar algo marcante também no cinema, mas escorrega em alguns pontos importantes para o desenrolar da trama.

    Para começar, seu roteiro é inchado com tantas histórias que poderia ser transformado em, quem sabe, uma trilogia. A personagem resolve pelo menos quatro arcos - que não vou detalhar para não dar spoilers - em uma única narrativa. Tanta informação jogada ao público em duas horas torna o filme episódico e até cansativo, com Alita partindo de uma situação para outra sem muito tempo para o espectador processar cada clímax!

    Ao contrário do mangá, a crise existencial central à história, na qual Alita se esforça para descobrir quem ela é e de onde vem, é resolvida rapidamente no filme, afinal tudo precisa ser agilizado, e com o máximo de exposição, para justificar a próxima cena de ação. Então, o longa deixa de ser uma poderosa obra de ficção-científica e se torna um raso blockbuster. Uma pena, mas esperado.

    Se não bastasse a correria, o filme não consegue achar o tom certo e flerta com o infanto-juvenil e o adulto. Algumas cenas são extremamente violentas, mas amenizadas com sangue é azul. Em outros casos, a ação mais pesada acontece fora do alcance das câmeras. Sem falar no clima de romance adolescente que permeia boa parte da trama e na simplificação das relações dos personagens.

    O lado técnico compensa parte das falhas, especialmente pelo seu mundo vibrante e detalhado, repleto de pessoas modificadas por partes cibernéticas e locais fascinantes. O filme consegue transportar o espectador para a Cidade da Sucata, local repleto de detalhes bizarros e intrigantes, cenário para cenas de ação empolgantes e muito bem produzidas.

    Parte da graça está em Rosa Salazar e sua ótima atuação. Mesmo com muito CGI, ela consegue fazer Alita ser a personagem mais humana desse mundo distópico e convence como garota inocente, guerreira e heroína. Seu romance com Hugo (Keean Johnson) é sincero, embora sua contraparte não esteja à sua altura.

    Christoph Waltz sofre com o responsável por explicar todos os detalhes da trama, já que muitos de seus diálogos são clichês e desnecessários. Apesar da relação de Ido e Alita ser um bom ponto emocional do filme, o personagem é mal desenvolvido e o ator pouco aproveitado. A sorte é que ele é tão bom, que mesmo com tantos problemas em relação a seu personagem, ainda consegue ser realista.

    Infelizmente, Alita: Anjo De Combate não atinge o nível de excelência do mangá, mas ainda assim é uma boa tentativa de levar a obra de Yukito Kishiro para o cinema. A inserção de múltiplos elementos na tela deixa o filme raso e ignora a necessidade de momentos de reflexão para mostrar o sentido maior das provações enfrentadas pela protagonista. Ao menos, muitas das cenas presentes na produção são empolgantes, e é inegável que este é um projeto ambicioso. Só é uma pena ver uma história tão clássica e profunda ser reduzida a algo tão simplório.

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