AMANTES

AMANTES

(Two Lovers)

2008 , 110 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 28/08/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • James Gray

    Equipe técnica

    Roteiro: James Gray, Ric Menello

    Produção: Anthony Katagas, Donna Gigliotti

    Fotografia: Joaquín Baca-Asay

    Estúdio: 2929 Productions

    Elenco

    Elias Koteas, Gwyneth Paltrow, Isabella Rossellini, Joaquin Phoenix, Vinessa Shaw

  • Crítica

    27/08/2009 11h37

    O cinema de James Gray é focado na Nova York dos imigrantes, das famílias tradicionais de classe média, nas relações entre excluídos e pessoas certinhas - além daqueles que estão excluídos, mas querem se endireitar, seguir as normas da sociedade.

    É daí que ele tira o embate que permeia sua obra, desde Little Odessa até Os Donos da Noite, passando pelo pouco notado Caminho Sem Volta.

    Quando contava histórias de pequenos gangsters, era mais fácil perceber que a disjunção entre os laços familiares e a liberdade individual operava em uma camada mais sutil, escondida sob camadas mais físicas, mais terrenas. Agora, ao filmar a jornada de um homem desiludido cuja única maneira de seguir um caminho em sua vida é se desvencilhando das teias familiares, tudo está em nossa cara: James Gray filma o embate entre o que é arraigado e o que precisa ser destruido, entre o compromisso e o voo livre, entre a porralouquice e o cerco do que é comum.

    Leonard, personagem de Joaquin Phoenix em Amantes, é o mais desajustado entre os desajustados de Gray. O que mais tem dificuldades em se libertar da rede doméstica, apesar de ser o que mais visivelmente se incomoda com ela. Enquanto ele não romper os laços com seus pais, com quem divide um apartamento, não saberá exercer sua individualidade. Não é uma pessoa comum, mas um homem sensível, que se abate muito facilmente, e por isso ao mesmo tempo que precisa do conforto familiar, o repele, pois sente que essa dependência é castradora. Ele se apaixona pela vizinha, interpretada por Gwyneth Paltrow (Homem de Ferro), que tem um amante casado. Mas sua família aprova as investidas da filha (Vinessa Shaw, de Os Indomáveis) de um negociante que pode melhorar a situação econômica de todos. A rede na qual está enrolado é difícil de se desvencilhar, ainda mais com a insegurança tremenda que ele sente.

    Em linhas gerais, não existe muito mais o que dizer do filme. Não há grandes reviravoltas, o roteiro não foi escrito por nenhum pretenso gênio, não há grandes movimentos de câmera, e ainda é esteticamente comportado.

    Ao mesmo tempo, não há como negar sua pungência, a dor dos momentos mais líricos, a força do olhar dos atores, especialmente de Joaquim Phoenix (ator que já havia trabalhado com Gray nos dois filmes anteriores do diretor, aqui no papel de sua vida) e Vinessa Shaw. Captar esses olhares pode até parecer fácil para um espectador comum. Mas você não os vê em mais do que cinco ou seis filmes por ano, sendo otimista. É algo que só pode ser almejado por alguém que pretende, primeiramente, tocar nossas emoções, sem se fazer de esperto, sem estar na moda, sem preocupação alguma com tendências como o dogma ou do cinema independente americano, que emula Godard ou Cassavetes, mas mostra, geralmente, que deles não aprendeu nada.

    Amantes
    narra o embate entre a conformidade e a rebeldia, assim como deixa entrever um embate entre o cinema clássico e o moderno. O clássico vence no final, obviamente. O espectador irá saber quem será o vencedor do outro embate, em uma das cenas finais mais tocantes em muito tempo.

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