Pôster de Amazônia

AMAZÔNIA

(Amazônia - 3D)

2013 , 76 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 26/06/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Thierry Ragobert

    Equipe técnica

    Roteiro: Johanne Bernard, Louis-Paul Desanges, Luc Marescot, Luiz Bolognesi

    Produção: Caio Gullane, Débora Ivanov, Fabiano Gullane, Gabriel Lacerda, Stéphane Milliere

    Fotografia: Gustavo Hadba, Manuel Teran

    Estúdio: Biloba, Canal+, France 2 Cinéma, Gullane Filmes, Stopline Films, Vereda Filmes

    Distribuidora: Imovision

  • Crítica

    25/06/2014 16h05

    Tecnologia avançada pode ser ingrediente de filme, mas nunca receita. Amazônia, por exemplo, tem animais de verdade como protagonistas, mas abdica dos efeitos especiais para fazê-los se expressarem. Os realizadores se valeram mesmo de inteligência e dedicação – foram três anos de filmagens – para contar a história do macaquinho Castanha e sua aventura pela Amazônia. O esforço foi bem-sucedido.

    Sem usar animatrônicos ou efeitos de computador para fazer os animais falarem ou exprimirem sentimentos, Amazônia consegue dar personalidade a seu personagem principal e fazer o público compactuar com sua trajetória. E não faz isso apenas com o recurso de voz-off (as peripécias do personagem são narradas em primeira pessoa pelo ator Lúcio Mauro Filho), que seria insuficiente, mas casando narrativa com cenas perfeitas. Um elaborado trabalho de captação e montagem que conseguiu compensar perfeitamente a ausência dos efeitos especiais.

    Amazônia tem outros méritos. O roteiro, bem trabalhado, consegue ser didático sem ser aborrecido. Castanha é um macaquinho criado na cidade grande que se vê perdido na floresta amazônica depois de um acidente aéreo. Tem de aprender a lidar com a vida selvagem e, conforme vai descobrindo os segredos da imensidão amazônica, o público vai desvendando a floresta e seus habitantes com ele. Esse espectador, no caso, é infantil – alvo do filme.

    A história tampouco é condescendente com seu jovem público. A lei da selva é mostrada como é. O protagonista tem problemas para se enturmar com macacos de sua espécie, porque o macho-alfa de um grupo o repele – Castanha está interessado em Gaia, uma fêmea por quem se apaixona. Amazônia, corajosamente, nem mesmo deixa de falar de morte. Uma sequência envolvendo uma harpia, ave de rapina amazônica, não dissimula a realidade da cadeia alimentar.

    As desventuras do simpático macaquinho pediam também ação, afinal, um filme para o espectador infantil não podia ficar só no blablablá pedagógico, mesmo que bem disfarçado. E não falta atividade no longa. Destaque para uma sequência muito bem filmada do esperto Castanha tendo de escapar da investida de uma onça pintada.

    Amazônia é bem dirigido, roteirizado e montado. E a boa trilha sonora está perfeitamente casada com a trama, acrescentando, mas não induzindo. O uso do 3D foi boa ideia para dar profundidade de campo e quebrar a monotonia monocromática do fundo verde chapado da floresta.

    Tecnologia é ingrediente, mas não receita. Perspicácia e argúcia, isso sim fazem diferença no cinema e dão a fórmula. Amazônia é exemplo disso. Um bom trabalho de equipe e, afinal, cinema é isso.

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