AMOR À DISTÂNCIA

AMOR À DISTÂNCIA

(Going the Distance)

2010 , 102 MIN.

Gênero: Comédia Romântica

Estréia: 10/09/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Nanette Burnstein

    Equipe técnica

    Roteiro: Geoff LaTulippe

    Produção: Adam Shankman, Garrett Grant, Jennifer Gibgot

    Fotografia: Eric Steelberg

    Trilha Sonora: Mychael Danna

    Estúdio: New Line Cinema, Offspring Entertainment

    Distribuidora: Warner Bros

    Elenco

    Adam Harrison, Addison LeMay, Anna Gorecky, Benita Robledo, Carole Davis, Cass Buggé, Charlie Day, Charlie Hewson, Christina Applegate, David Bologna, Drew Barrymore, Ethan F. Hamburg, Graham Davie, Happy Anderson, Jason Sudeikis, Jennifer Bronstein, Jim Gaffigan, Josephine-Dana April Micari, June Diane Raphael, Justin Long, Kelli Garner, Kristen Schaal, Leighton Meester, Loretta Fox, Maria Di Angelis, Matt Servitto, Maya Morris, Meredith Hagner, Mick Hazen, Mike Birbiglia, Natalie Knepp, Natalie Morales, Nathan Nicholson, Oliver Jackson-Cohen, Piers Hewitt, Rob Riggle, Ron Bottitta, Ron Livingston, Samantha Futerman, Sandie Rosa, Sarah Burns, Sean G. Tarjyoto, Sondra James, Stink Fisher, Taylor Schwencke, Terry Beaver, Todd Howe, Tuffy Questell, Zach Page

  • Crítica

    10/09/2010 12h25

    Amor à Distância é uma comédia romântica que surpreende. Não se trata da nova quimera indie do ano como (500) Dias Com Ela, mas esse filme tem alguns prazeres que não o deixam à deriva na enxurrada de filmes no meio de outras produções do gênero.

    Logo na primeira cena, com uma intromissão hitchcockiana, assistimos através da janela o jantar de aniversário de um casal. Ele faz o tipo romântico e até cozinhou para ela, mas tem um probleminha: esqueceu-se do presente de aniversário. Pronto, a moça dá um chilique, o moço justifica “você disse que não queria ganhar nada”, ela responde “isso era para você me surpreender e me dar o melhor presente”.

    Aquela ladainha de que mulheres não entendem os homens, que não entendem as mulheres, elas são neuróticas, eles bebem cerveja, os opostos se repelem, mas não conseguem viver um sem o outro. Como diria nosso amigo Homer Simpson, “booooring”.

    Amor à Distância não segue esse caminho. Na verdade, até consegue esconder, algo raro em comédias românticas, qual será o destino de seus personagens e por onde os espectadores terão de segui-los. Temos nesse filme uma gama de personagens longe de estarem afirmados econômica e amorosamente.

    Numa América que exalta os vencedores, os personagens do filme são “derrotados”. Erin (Drew Barrymore) já passou da idade de estar na universidade, mas ainda busca um estágio no The New York Sentinel (diferente, por exemplo, da bem-sucedida Jennifer Aniston em Caçador de Recompensas). Enquanto isso, Garrett (Justin Long) é caça-talento de uma gravadora. Trabalho legal, né? Seria, se ele não tivesse de gastar tanto tempo com bandas do tipo “os próximos Jonas Brothers”.

    Dois trintões que são ou estão marginais ao mundo oficial. Ela sobrevive enquanto busca um jeito de entrar (ser contratada por um jornal); ele busca um jeito de sobreviver quando sair do trabalho. Num gênero que costuma lidar com personagens estabelecidos, mas que faltam apenas um detalhe para a felicidade plena (o amor), Amor à Distância fala de duas pessoas para as quais ainda falta muito. Ou seja, elas refletem os seres mortais que esbarramos pela vida, não os inalcançáveis de um certo tipo de cinema.

    Tem mais coisas interessantes nos personagens do filme. Os dois amigos de Garrett, que funcionam como os tradicionais sidekicks do protagonista, fogem do corrente. Box (Jason Sudeikis) só se interessam pelas coroas, ao passo que seu melhor amigo Dan (Charlie Day, melhor atuação do filme) é o rude/escatológico que tenta todas as garotas, mas fica a ver navios.

    Desenrolam-se também referências aos anos 80 – especificamente a Top Gun – Ases Indomáveis – e muitas piadas com as próprias comédias românticas por meio de um texto sujo. Imagine só como deve ter sido para Drew Barrymore, que tantas vezes interpretou moças bonitas à procura do homem perfeito, fazendo uma cena que faz troça de como o cinema americano vê o amor? São momentos assim que tornam aprazível a projeção da fita.

    Amor à Distância dá um pequeno passo adiante do corrente: não se trata do senso comum de que as mulheres não conseguem encontrar homens românticos, o problema surge quando eles aparecem e a vida decide complicar o que tinha tudo para ser perfeito.

    Mesmo assim, lembremos, não deixa de ser uma comédia romântica que segue algumas convenções do gênero. Por exemplo, o filme se encerra com dois momentos apoteóticos, o primeiro (abortado) e o segundo (que só serve para entornar o andamento e forçar um final feliz).

    Para quem se atém às estrelinhas ou bonequinhos que a crítica dá para um filme, Amor à Distância é um dos poucos filmes médios que fazem juz às complicadas três estrelinhas (que podem abarcar tanto um filme de ação bem executado, mas de roteiro esdrúxulo, quanto um drama francês correto). Amor à Distância merece suas três estrelinhas.

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