AMOR À FLOR DA PELE

AMOR À FLOR DA PELE

(In The Mood For Love)

2000 , 97 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Kar Wai Wong

    Equipe técnica

    Roteiro: Kar Wai Wong

    Produção: Kar Wai Wong

    Fotografia: Christopher Doyle, Ping Bin Lee

    Trilha Sonora: Michael Galasso, Shigeru Umebayashi

    Elenco

    Lai Chin, Maggie Cheung, Rebecca Pan, Siu Ping-Lam, Tony Leung Chiu Wai

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Um dos grandes problemas de Hong Kong é sua superpopulação. É comum na cidade que pequenos apartamentos sejam divididos e redivididos para que possam abrigar várias famílias. Entre os estreitos corredores destes cubículos, as pessoas se esbarram, se encontram, se percebem ou não. Como toda cidade grande, Hong Kong também é impessoal, fria e trata com aridez seus estressados habitantes.

    Neste contexto de impessoalidade e solidão, dois jovens vizinhos se conhecem: o jornalista Chow (Tony Leung, melhor ator no Festival de Cannes por este filme) e a bela secretária Li-Chun (Maggie Cheung). Olhares e sorrisos travados se cruzam. Surge uma atração. Porém, ambos são casados e seus sentimentos terão de ser sufocados. Um sufoco, aliás, que será a tônica predominante de todo o filme.

    Ambientado nos anos 60, Amor à Flor da Pele é um duro retrato da solidão dos grandes centros urbanos, onde as pessoas vivem sempre aglomeradas, mas nunca efetivamente juntas. O roteirista, diretor e produtor chinês Wong Kar-Wai (o mesmo de Amores Expressos e Felizes Juntos), destila toda a claustrofobia da situação por meio de elaborada fotografia em tons escuros assinada por Christopher Doyle (o mesmo da refilmagem de Psicose). Becos, ruas estreitas, apartamentos minúsculos e planos fechados dão o tom do relacionamento. Até o figurino sugere imobilidade e sufoco: Li-Chun veste apenas vestidos apertados, de gola alta, enquanto Chow raramente se livra de sua gravata. Há várias cenas, inclusive em que a gravata assume papel de importância.

    A narrativa é bastante oriental. Reflexiva, introspectiva, lenta. Nem poderia ser diferente, já que o tema é o imobilismo, o medo de romper barreiras, a incapacidade de colocar o coração acima do cérebro. Amor à Flor da Pele é uma tradução incorreta, porém feliz para o título original (“In The Mood for Love”), inspirado numa antiga canção romântica norte-americana. No filme, o amor está, de fato, sempre à flor da pele e dali não sairá.

    20 de fevereiro de 2001
    ____________________________________________
    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus