AMOR EM JOGO (2005)

AMOR EM JOGO (2005)

(Fever Pitch)

2005 , 104 MIN.

10 anos

Gênero: Comédia Romântica

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Bobby Farrelly, Peter Farrelly

    Equipe técnica

    Roteiro: Babaloo Mandel, Lowell Ganz

    Produção: Alan Greenspan, Amanda Posey, Bradley Thomas, Drew Barrymore, Gil Netter, Nancy Juvonen

    Fotografia: Matthew F. Leonetti

    Trilha Sonora: Craig Armstrong

    Estúdio: Flower Films, Wildgaze Films

    Distribuidora: Fox Film

    Elenco

    Brandon Craggs, Drew Barrymore, Jimmy Fallon, Johnny Damon, Lenny Clarke, Miranda Black

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Para fãs do escritor Nick Hornby como eu, Amor em Jogo já começou errado ao adaptar o romance Febre de Bola (o primeiro publicado por Hornby) com tantos pecados. Transferir as locações da história para os EUA seria um tiro no pé tão certeiro quanto trocar o esporte favorito do protagonista: no livro, ele é apaixonado pelo time de futebol Arsenal; no filme, é louco pelo time de beisebol Red Sox. Até os nomes dos protagonistas foram modificados. Agora, resta admitir que os problemas não são tão grandes quanto imaginava.

    Esta comédia romântica dirigida e produzida pelos irmãos Farrelly é bem mais sutil se comparada aos filmes anteriores da dupla como Ligado em Você (2003), Quem Vai Ficar com Mary? (1998) e Débi & Lóide - Dois Idiotas em Apuros (1994). São poucas as piadinhas sexuais, o que torna a produção mais palatável para os espectadores que não são chegados às escatologias que marcam o cinema de Bobby e Peter. Aqui, eles levam uma história de amor corriqueira ao estádio Fenway Park, lar do time de beisebol Red Sox, de Boston.

    Ben (Jimmy Fallon) é fanático pela equipe desde pequeno e sua casa mais parece uma loja de souvenirs. Tudo que ele usa, de toalha ao papel higiênico, é do Red Sox. Isso porque o professor já tem mais de 30 anos. Por essa paixão pelo esporte, mulher nenhuma nunca agüentou namorá-lo por muito tempo. Afinal, Ben é capaz de trocar a companhia de uma garota por um jogo do Red Sox sem pestanejar. Mas essa atitude está prestes a mudar quando ele conhece Lindsey (Drew Barrymore), uma matemática muito bem-sucedida profissionalmente, mas igualmente derrotada no terreno amoroso.

    Eis que os dois resolvem tentar um relacionamento. Como é normal, ambos tem suas ressalvas: ela tem medo de assumir um namoro com um "pobretão", ele está sempre à espera do "pé na bunda". Mas é claro que os dois resolvem deixar isso de lado em nome do amor. Também é evidente que o relacionamento dá certo até o verão, quando a temporada dos jogos de beisebol começa. Lindsey até que tenta entender essa entrega aparentemente infantil de Ben ao time. É quando os dois devem ter a típica flexibilidade que se deve adquirir para fazer um relacionamento dar certo.

    Amor em Jogo não traz muitas coisas novas no terreno das comédias românticas, mas o argumento e o desenvolvimento do roteiro fazem com que o público seja conquistado. A gracinha Drew Barrymore está muito bem no papel, o que não é novidade, já que ela é especialista em personagens românticas e meio desengonçadas. Até Jimmy Fallon, quem diria, está menos irritante e exagerado se compararmos com sua atuação anterior (Táxi). O maior problema é o esporte escolhido. Pode ser que os americanos são muito mais apaixonados pelo beisebol do que nós. Pensando assim, até que foi uma boa opção, mas as partidas são chatas. Isso sem contar que o espectador não se sente dentro do estádio (ou da quadra, por exemplo, como é o caso de Winbledon - O Jogo do Amor). Tenho certeza que um esporte como o basquete adicionaria muito mais ao filme. Ou mesmo o futebol, como no livro.

    De qualquer forma, o filme explora com inteligência os impasses que sempre surgem entre o casal e a aceitação do outro com a consciência da não-perfeição. Uma coisa é certa: muitos não encontraram a famigerada cara-metade simplesmente porque se fecham nas opções, como sempre fez Lindsey. Outros pela incapacidade de crescer, como seu namorado. Mesmo assim, ambos conseguem lidar com essas características do outro e é essa a mágica de relacionamentos que dão certo.

    Como toda comédia romântica, o público-alvo de Amor em Jogo é feminino, uma vez que ele aumenta a dose do ponto de vista do protagonista feminino ao roteiro, ao contrário do livro, extremamente masculino. Sem perder o foco na paixão de Ben, o esporte, Amor em Jogo mostra muito bem como se sente uma garota na situação de Lindsey. Por outro lado, o roteiro tem vários dados da história real do Red Sox, tão cheia de altos e baixos. Inclusive, ele teve de ser modificado durante as filmagens graças à surpreendente guinada no campeonato que o time deu. Essa fidelidade com os fatos deve agradar aos fãs de esportes.

    Se você é do meu time - dos fãs de Nick Hornby e seu Febre de Bola -, sugiro que esqueça o nome do escritor relacionado a este filme para que os pecados na adaptação possam ser perdoados. Afinal, se até o escritor foi capaz de perdoá-los (Hornby assina a produção executiva do filme), quem somos nós? Dessa forma, o descompromissado Amor em Jogo pode ser apreciado da forma como deve ser.

    Em tempo: o livro já foi adaptado em 1997 pelo diretor inglês David Evans. Protagonizado por Colin Firth, Febre de Bola teve roteiro escrito pelo próprio Hornby (que também faz uma ponta da produção). O filme não foi lançado no Brasil, mas com sorte você o encontra na programação do canal por assinatura Cinemax, no qual já passou algumas vezes.

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