Amor, Plástico e Barulho

AMOR, PLÁSTICO E BARULHO

(Amor, Plástico e Barulho)

2013 , 83 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 22/01/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Renata Pinheiro

    Equipe técnica

    Roteiro: Renata Pinheiro, Sérgio Oliveira

    Produção: Iván Granovsky, Leticia Friedrich, Lourenço Sant’Anna

    Fotografia: Fernando Lockett

    Trilha Sonora: DJ Dolores, Yuri Queiroga

    Estúdio: Aroma Filmes, Boulevard Filmes

    Montador: EVA RANDOLPH

    Elenco

    Dedesso, Everton Gomes, Jennyfer Caldas, Leo Pyrata, Maeve Jinkings, Nash Laila, Paulo Michelotto, Rodrigo García, Samuel Vieira

  • Crítica

    20/01/2015 17h18

    Por Iara Vasconcelos

    Quando o Tecnobrega surgiu, em meados dos anos 2000 no interior do Pará, era reconhecidamente um gênero musical da periferia. A mistura das letras melódicas, já familiar aos fãs de música brega, encontrou sua cara metade nas batidas aceleradas e nos sons dos sintetizadores. Aos poucos, a nova sensação musical conquistou a região nordeste e o restante do país.

    Mas seria raso considera-lo apenas como um gênero voltado a produzir hits em massa. O estilo é famoso por ser alheio a grandes gravadoras. Seus artistas são, em sua maioria, independentes e distribuem o próprio material à DJs, nas famosas "festas de aparelhagem", e camelôs. E é em meio a toda essa agitação que a narrativa de Amor, Plástico E Barulho, escrita e dirigida por Renata Pinheiro, se desenrola.

    A dançarina Shelly (Nash Laila) e a cantora Jaqueline (Maeve Jinkings) fazem parte da banda Amor com Veneno, uma das maiores sensações do Pernambuco, prestes a dar mais um passo rumo ao estrelato após o convite para uma apresentação em um programa de televisão. Porém, o sonho de Jaqueline em seguir carreira solo, além de seu estrelismo excessivo, fazem com que ela se afaste do resto do grupo, que desponta para um fim precoce.

    Logo no início, temos a impressão de que o longa quer apelar para o lado mais carnal do espectador. Closes e cortes sugestivos, suor dos rostos mostrados em detalhe, corpos em constante contato e fotografia com cores impactantes se juntam, formando um retrato visceral e com ares eróticos desse submundo urbano.

    Apesar dessa subcultura ser o argumento de sustentação da trama, Amor, Plástico E Barulho trata da efemeridade do sucesso, algo comum aos artistas desse universo específico, mas não algo exclusivo deles. E isso é mostrado através da ascensão e declínio pessoal das próprias protagonistas. E por falar em protagonistas, Nash Laila e Maeve Jinkings literalmente duelam em cena, com atuações consistentes, que despertam sentimentos mistos de empatia e aversão no público. Talvez a intensidade característica a cada personagem torne isso mais plausível, porém é inegável que o talento de suas intérpretes contribui e muito para o resultado.

    Aliás, a escolha de trabalhar um ambiente ainda tão marginalizado no Brasil faz jus à alcunha de representante do novo cinema brasileiro que tem sido empregada a Pinheiro. Filmes como Ó Paí, Ó e Tatuagem foram outros que abordaram a diversidade da cultura popular nordestina sem apelar para o combo "cangaceiro e seca".

    Esteticamente, a fita peca ao inserir recortes de vídeos e reportagens em baixa qualidade entre seus atos, o que não contribui muito ao visual e acaba quebrando o ritmo da narrativa, mas o teatro de som e cor criado pela cineasta é uma prova de que ainda há sangue correndo pelas veias da produção artística brasileira.

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