Pôster do filme Amor Pleno

AMOR PLENO

(To The Wonder)

2012 , 113 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 26/07/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Terrence Malick

    Equipe técnica

    Roteiro: Terrence Malick

    Produção: Sarah Green

    Fotografia: Emmanuel Lubezki

    Trilha Sonora: Hanan Townshend

    Estúdio: Redbud Pictures

    Montador: A.J. Edwards, Christopher Roldan, Keith Fraase, Mark Yoshikawa, Shane Hazen

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Amy Christiansen, Ashley Clark, Ben Affleck, Bobby Davis Horsley, Brian Christiansen, Bruce Peabody, Casey Williams, Cassidee Vandalia, Charles Baker, Dan Corley, Danyeil Inman, Darren Patnode, Darryl Cox, Emma Johnson, Francis Gardner, Ginger Gilmartin, Gregg Elliott, Jack Hines, Jamie Conner, Javier Bardem, Jeff Anderson, Kenneth Woodhams, Lois Boston, Michael Anderson, Michael Bumpus, Olga Kurylenko, Paris Always, Rachel McAdams, Romina Mondello, Russ Vaclaw, Russell Vaclaw, Samaria Folks, Scott Mason, Tamar Baruch, Tatiana Chiline, Terry York, Tom Macdonald, Tony O'Gans, Wigi Black, William Riddle

  • Crítica

    23/07/2013 17h00

    Os filmes de Terrence Malick transbordam da tela. Fazem enxergar. O diretor nos obriga a observar as pequenas coisas, coloca uma lupa sobre "cada folha, cada raio de sol", como diz a personagem de Jessica Chastain no aclamado A Árvore da Vida. Não poderia ser diferente em Amor Pleno. Entretanto, seu novo longa não consegue ganhar profundidade com personagens pouco interessantes.

    Dos protagonistas, vamos conhecer melhor Marina (Olga Kurylenko). Mãe solteira, vê em Neil (Ben Affleck) a esperança para sair do sofrimento; deixa a França por acreditar no relacionamento dos dois. A interpretação de Kurylenko soa caricata ao tentar transmitir inocência e alguns trejeitos seus incomodam ao longo da película.

    O inexpressivo personagem de Affleck vira uma incógnita, não se desenvolve. Quando seu amor por Marina esmorece, sente-se atraído novamente por uma antiga paixão, Jane, conduzida pela boa atuação de Rachel McAdams - com a delicadeza medrosa e beata que parece esconder uma sombra selvagem. Ela passa rapidamente pela história, como interlúdio para a relação de Neil e Marina. Aliás, outras figuras interessantes e fugazes trazem belas reflexões, vale ficar atento.

    Em meio a esses protagonistas cambaleando em dúvidas, Padre Quintana, vivido por Javier Barden, busca a essência do amor. Seus sermões são o fio condutor das entrelinhas, onde o discurso silencioso dos gestos ressoa. Ele amarra as diversas questões em possíveis respostas, sempre mirando a elevação do espírito, "a presença divina que dorme em cada homem e cada mulher".

    Esteticamente, Amor Pleno é impecável. Dos planos amplos do mar e do trigo avermelhado às luzes de Paris à noite, tem-se uma coletânea de belas imagens. O contraste da iluminação entre ambientes internos e externos também ganha a atenção do olhar - como nas casas escuras ao crepúsculo com apenas um ponto de luz vazando do interior.

    Os símbolos são extremamente expressivos e bem colocados, algo já esperado em um filme de Malick. O mais evidente entre eles talvez esteja na cena onde Jane e Neil caminham em meio a bisões, mostrando o embate entre pureza e instinto.

    As primeiras impressões de Marina sobre os Estados Unidos também são interessantes, com detalhes sutis revelando as vantagens e tristezas do american way of life. O fato de os personagens falarem diferentes línguas, virem de lugares distintos, também foi um grande insight para abordar o tema.

    Com belíssima trilha sonora composta de violinos e violoncelos, tem-se um clima etéreo. Já os ruídos da cidade, dos parques e das construções sugerem o desconforto emocional latente. O uso dos sons para contextualizar sentimentos dá forte apoio à narrativa, criando uma linguaguem subliminar. 

    A grande questão que não deixa o filme elevar-se à categoria de obra singular é a falta de consistência de seu núcleo principal. Isso fica mais evidente na comparação quase injusta com A Árvore da Vida. Malick ateve-se muito mais à forma do que ao conteúdo, apesar de as poucas linhas serem de lirismo e reflexão profundos. Amor Pleno não supre as expectativas levantadas por seu antecessor; mesmo assim, sua beleza e simbolismo o fazem imperdível.

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