AMOR PROFUNDO

AMOR PROFUNDO

(The Deep Blue Sea)

2011 , 100 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 10/05/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Terence Davies

    Equipe técnica

    Roteiro: Terence Davies

    Produção: Kate Ogborn, Sean O'Connor

    Fotografia: Florian Hoffmeister

    Estúdio: Film4, Fulcrum Media Finance, Lipsync Productions, UK Film Council

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Ann Mitchell, Barbara Jefford, Harry Hadden-Paton, Jolyon Coy, Karl Johnson, Mark Tandy, Nicolas Amer, Oliver Ford Davies, Rachel Weisz, Sarah Kants, Simon Russell Beale, Stuart McLoughlin, Tom Hiddleston

  • Crítica

    05/05/2013 18h01

    Nascemos e morremos sozinhos. Relacionamentos ao longo da vida dão sentido à mesma, mas não se pode tirar um pedaço do outro para fazer-se inteiro. Amor Profundo explora essa questão até um perigoso limiar da dependência de afeto: o suicídio.

    A trama baseada na peça de Terence Rattigan se passa no dia em que Hester (Rachel Weisz) tenta se matar. Daí em diante, é entrecortada por suas lembranças e temos um vislumbre de como irrompeu tamanha crise.

    O início do longa não causa boa impressão, com uma sinfonia exageradamente dramática que faz os primeiros minutos se arrastarem pela tela. Até a metade, diálogos racionais sobre amor, decisões precipitadas e consequências encaixam-se em um quadro tedioso.

    Felizmente, há uma ruptura na segunda parte. Quando não apela para o excesso de eloquência, Amor Profundo ganha densidade nos gestos, olhares e silêncios percorrendo os traços dos ótimos protagonistas.

    Em meio a um casamento tedioso com Sir William, respeitado juiz, Hester apaixona-se por Mr. Page (Tom Hiddleston), ex- combatente da 2ª Guerra Mundial. Aos poucos, percebe-se sua fraqueza e fragilidade para sustentar-se na ausência do companheiro. De maneira sutil, a dependência afetiva de vários personagens entra em cena.

    Sir William, mesmo numa alta posição social, é submisso à mãe. O filho herda o traço de racionalidade, mas em sua presença não passa de uma criança. Hester, por sua vez, tem dificuldade para lidar com qualquer figura masculina devido à relação mal resolvida com o pai: acaba se anulando diante de cada homem que entra em sua vida.

    Rachel Weisz transmite a fragilidade e insegurança da personagem, com o ápice de interpretação na cena de choro em frente à lareira, de uma veracidade avassaladora. A atuação de Hiddleston está acima da média na pele de Mr. Page, que oscila entre fúria e arrependimento, decisão e tolerância na sua afetação pós-guerra. Os demais coadjuvantes são consistentes e dão forte base à narrativa.

    Por meio de uma edição interessante, as memórias da protagonista voltam à tona sem alarde e de forma quase poética, como na belíssima passagem do bombardeio a Londres. O plano-sequência exibe, lentamente, pessoas escondidas no metrô entoando uma música triste entre o barulho das explosões. E para ambientar a década de 1950, a fotografia se sobressai tanto no tom azul embaçado do começo como nas luzes amareladas cortando os becos da cidade, delineando o perfil de seus fantasmas bêbados de guerra.

    Na tradução literal, The Deep Blue Sea significa O Mar Azul-escuro. A cor simboliza a tristeza e é usada para descrever tal sentimento em inglês. Deep também passa a noção de profundidade. Dessa forma, o título original se mostra uma síntese quase perfeita do filme que poderia ser apenas regular, mas ganha fôlego a tempo de deixar sua marca.

    Assim como após a guerra precisa-se recomeçar dos escombros, uma separação dolorosa exige que a vida seja resgatada do fundo do poço - e o amor traduzido na trama encontra-se exatamente nesse lugar obscuro e revelador, esperando para emergir.

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